Organizações russas usaram serviços da Google para influenciar eleição de Trump

Por Redação | 31 de Outubro de 2017 às 17h37
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Através de serviços da Google como o YouTube e o Gmail, agentes russos investiram milhares de dólares na publicação de conteúdos com o intuito de difundir notícias falsas relacionadas à política estadunidense e, assim, influenciar na tomada de decisões da escolha do presidente eleito no ano passado.

Após pressão de congressistas e com a polêmica sendo largamente comentada na imprensa, uma investigação interna da Google chegou à conclusão de que alguns dos anúncios feitos não partiram da mesma organização afiliada ao Kremlin utilizada para comprar espaço no Facebook — a Internet Research Agency, conhecida por criar contas falsas para publicar conteúdo em redes sociais e cometar em portais de notícias. O Facebook divulgou no mês passado que, das 210 milhões de contas de usuários dos EUA, apenas 10 milhões de pessoas chegaram a entrar em contato com o conteúdo veiculado pela organização russa. O grupo teve mais de 80 mil posts veiculados na rede social.

O Twitter, entretanto, afirmou ter encerrado 2.752 contas afiliadas à Internet Research Agency, não trazendo dados sobre a possível propagação das informações compartilhadas, mas afirmando que mais de 274 mil dólares foram gastos para veicular conteúdos em sua plataforma. O número é cerca de 14 vezes maior que a quantidade informada anteriormente ao comitê do congresso, três semanas atrás.

Está marcado para o dia 1 de novembro o depoimento de executivos e representantes do Facebook e Twitter frente ao Congresso estadunidense e ao Comitê de Inteligência do Senado e da Casa Branca. O Google ainda não afirmou publicamente se vai ou não aceitar o convite para depor.

Ontem (30), a Microsoft comunicou que está investigando se as organizações russas também utilizaram seus serviços, como anúncios no Bing ou outras plataformas para a tentativa de interferir na política dos EUA.

Num primeiro contato, o material divulgado pela Internet Research Agency parecia apoiar a campanha da democrata Hilary Clinton. Entretanto, o real propósito dessas publicações aparentemente foi inflamar a reação dos eleitores mais conservadores. Confome publicado pelo Washington Post nesta semana, as publicações ligadas à organização russa promoviam o grupo Black Lives Matter e traziam nomes de mulheres muçulmanas que apoiavam Clinton, o que criou indisposição em relação às propostas da democrata aos olhos dos eleitores mais apegados ao ponto de vista republicano.

Atualmente, não há consenso entre republicanos e democratas sobre como agir em relação ao ocorrido. Entretanto, na Federal Election Comission, comissão criada para tratar do assunto, atua apenas um representante democrata, que trabalha agora no pedido para que se imponham novas regras para a publicidade política online.

Fonte: Washington Post

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