Office não terá mais acompanhamento individual da produtividade de trabalhadores

Office não terá mais acompanhamento individual da produtividade de trabalhadores

Por Felipe Demartini | 03 de Dezembro de 2020 às 11h33
Divulgação

A Microsoft anunciou que não vai mais exibir métricas individuais dos usuários como parte das ferramentas de acompanhamento de produtividade do Office. A mudança vem em resposta às críticas em relação à privacidade dos colaboradores, com a ferramenta disponível na suíte de aplicativos podendo servir, na visão de especialistas, como uma forma de monitorar e espionar a rotina de trabalho de cada pessoa, principalmente, na conversão para regimes híbridos ou completamente remotos de trabalho.

Em resposta, a Microsoft informou que os dados somente serão agregados para toda a companhia, com os insights obtidos de forma individual, de cada funcionário, sendo anonimizados e transformados em métricas de toda a organização. Nem mesmo administradores de sistemas ou gestores poderão acessar informações individuais, que não mais estarão disponíveis na suíte de aplicações.

De acordo com Jared Spataro, vice-presidente corporativo do segmento Microsoft 365, que compreende todos os softwares da empresa que rodam em regime de assinaturas, as mudanças vêm para atender aos pedidos dos usuários e especialistas por mais privacidade. Ele apontou que por mais que os insights e notas de produtividade fossem aplicados apenas à toda a empresa, é possível entender as preocupações relacionadas a um sistema de análise individual.

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Os recursos estavam disponíveis desde outubro, em uma atualização do pacote Office, mas ganharam notoriedade na última semana depois que o pesquisador em privacidade Wolfie Christl se tornou uma das vozes de maior destaque contra a ferramenta. Na visão dele, em vez de uma maneira de melhorar a eficiência de uma organização, a chamada Pontuação de Produtividade serviria como uma ferramenta de vigilância de gestores sobre os colaboradores.

A funcionalidade até pode ser desligada individualmente por cada usuário, mas é ativada por padrão caso uma empresa decida fazer uso dela. A partir daí, são analisados parâmetros como o tempo que o utilizador passou escrevendo, respondendo e-mails ou participando de reuniões, além da constância no uso de plataformas de colaboração e envio de arquivos na nuvem. Na ideia original, a pontuação de produtividade também poderia ser comparada às de outras organizações, com a própria Microsoft dando dicas sobre a localização dos problemas e onde é possível melhorar.

No texto que anuncia as mudanças, Spataro agradeceu o feedback dado por especialistas e trabalhadores, que levaram às atualizações que, segundo ele, garantem que nenhum tipo de acompanhamento individual possa acontecer. Ele explica, ainda, que o recurso nunca foi imaginado para ser usado desta forma, e sim, como uma forma de auxiliar companhias a melhorarem a própria produtividade.

Além da retirada dos gráficos individuais, a funcionalidade de graduação também ganhará alertas de privacidade mais claro, além de mudanças de interface que deixam clara a ideia de que as pontuações exibidas pertencem à empresa como um todo. Também está mantida a possibilidade de desligamento do recurso pelos próprios usuários, de forma que as métricas não sejam contabilizadas no score total da organização.

Fonte: Microsoft

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