Nova investigação sobre a Huawei nos EUA incluiu reunião armada durante a CES

Por Renato Mota | 04 de Fevereiro de 2019 às 15h47
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Uma terceira investigação conduzida pelo FBI sobre a chinesa Huawei, teve colaboração de um pesquisador americano, invasão de um laboratório em San Diego e até reunião armada na CES, em Las Vegas. Os detalhes dessa operação vieram a público numa matéria publicada pela Bloomberg Businessweek nesta segunda (4).

Além de acusar a empresa de roubar segredos comerciais da T-Mobile e mandar prender no Canadá a vice-presidente da empresa Meng Wanzhou, o FBI conduziu no mês passado uma investigação que está em curso sobre uma suposta tentativa de roubo de uma tecnologia que tornaria os vidros das telas dos smartphones resistente a arranhões e praticamente inquebráveis.

Tudo começou quando Adam Khan, fundador da Akhan Semiconductor Inc., recebeu de volta uma amostra de vidro que tinha envidado para um laboratório de testes em San Diego. O produto é uma invenção de Khan, e usa uma microcamada de diamantes artificiais para deixa-lo seis a dez vezes resistente do que o Gorilla Glass. A ideia era licenciar a tecnologia para fabricantes de smartphones.

Adam Khan, CEO e fundador da Akhan Semiconductor Inc. (Foto: Reprodução/Facebook)

O problema é que o protótipo chegou muito depois do prazo estipulado, e bastante danificado. O tal laboratório é controlado pela Huawei, o que fez com que Khan ficasse desconfiado de que os chineses estariam tentando roubar sua inovação. Algum tempo depois, Khan foi surpreendido com uma convocação do Departamento Federal de Investigações dos EUA para colaborar com uma investigação da Huawei. O FBI pediu que ele viajasse para Las Vegas e conduzisse uma reunião com representantes da empresa no Consumer Electronics Show (CES) do mês passado.

Khan e o diretor de operações da Akhan, Carl Shurboff, foram para o encontro equipados com dispositivos de vigilância e gravaram a conversa com os executivos da Huawei, enquanto o FBI e um repórter da Bloomberg Businessweek acompanhavam a conversa a uma distância segura. De acordo com a reportagem, representantes da Huawei admitiram na gravação que haviam quebrado o contrato com a Akhan, violando assim leis de controle de exportação dos EUA. Alguns dias depois, a polícia revistou o laboratório da Huawei em San Diego onde o vidro da Akhan havia sido enviado.

A investigação

Shurboff acredita que a Huawei tentou descobrir o que tornava o vidro tão resistente a partir de engenharia reversa. Além de estourar os prazos para a devolução da amostra, o executivo conta que o laboratório enviou o protótipo de volta na mesma embalagem, mas partido em dois e com três pedaços de vidro de diamante faltando. “Pensei: 'Ótimo, essa empresa multibilionária está vindo atrás de nossa tecnologia. O que nós vamos fazer agora?", lembra.

Duas semanas depois, em agosto do ano passado, Shurboff foi a um seminário sobre espionagem corporativa promovido pelo FBI em Chicago. Na palestra, uma agente discutiu a investigação do caso entre a Huawei e a T-Mobile, ocorrido em 2012. No intervalo, Shurboff contou sobre sua experiência recente para a agente, ressaltando ainda que a mesma tecnologia utilizada nos vidros é regulamentada para aplicações de defesa e utilizada em pela Akhan em semicondutores de projetos militares.

Esse detalhe chamou a atenção do FBI, que recolheu a amostra e realizou um exame forense, que constatou que a Huawei havia usado um laser de 100 quilowatts para cortar o vidro, poderoso o suficiente para ser usado como arma. O pessoal da Akhan então entrou em contato com a empresa chinesa para pedir esclarecimentos, e uma reunião foi marcada na CES, em janeiro deste ano. Na conferência, os representantes da Huawei reconheceram que a amostra foi levada até a China, mas garantiram que o Regulamento Internacional de Tráfico de Armas dos EUA não foi violado. Em certo momento, um dos executivos chineses chegou a perguntar se a reunião estava sendo monitorada pelo governo.

A Huawei não respondeu aos repetidos pedidos de comentários sobre o caso feitos pela Bloomberg Businessweek e pela CNBC. O relato foi feito com base em documentos que a reportagem teve acesso — incluindo e-mails e mensagens de texto trocadas entre a Huawei, Akhan e o FBI — além de entrevistas com Khan e Shurboff.

Fonte: Bloomberg Businessweek

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