MPF investiga se houve falha de segurança de operadoras no caso dos hackers

MPF investiga se houve falha de segurança de operadoras no caso dos hackers

Por Rui Maciel | 01 de Agosto de 2019 às 14h40

O Ministério Público Federal (MPF), em Brasília, anunciou a abertura de um inquérito para investigar se as operadoras de telefonia apresentaram falha de segurança, que permitiu a invasão de hackers em celulares de diversas autoridades públicas, entre eles o ministro da Justiça, Sérgio Moro, e o procurador da República, Deltan Dallagnol, entre outros.

A entidade quer averiguar mais a fundo se as operadoras contam com brechas críticas de segurança, como acesso à caixa postal quando um hacker consegue ligar para um número usando o mesmo número do destinatário, a partir de um aplicativo VoIP.

De acordo como juiz Vallisney de Oliveira, "o Telegram permite que o usuário solicite o código de acesso via ligação telefônica, com posterior envio de chamada de voz contendo o código para ativação do serviço Web, cuja mensagem fica gravada na caixa postal das vítimas", afirmou. "O invasor então realiza diversas ligações para o número alvo, a fim de que a linha fique ocupada, e a ligação contendo o código de ativação do serviço Telegram Web é direcionada para a caixa postal da vítima".

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Essa estratégia, inclusive, teria sido usada em tentativas de invasão ao celular do presidente Jair Bolsonaro e do ministro da Economia, Paulo Guedes.

SindiTelebrasil afirma que operadoras são seguras

O Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Celular e Pessoal (SindiTelebrasil) se pronuncio, afirmando que as operadoras de telefonia móvel possuem políticas e diretrizes internas voltadas à área de segurança da informação e antifraude, visando sempre a proteção dos dados de seus clientes.

A entidade aponta também que as empresas de telefonia não têm controle nem responsabilidade legal sobre os conteúdos e transações feitos em aplicativos de terceiros. “As prestadoras também alertam para importância de o cliente optar pelos padrões de segurança mais rigorosos (por exemplo, adotar nos aplicativos a confirmação de senhas em duas etapas). As operadoras também informam que desativaram o serviço que permitia acessar a caixa postal ligando para o próprio número”.

Questionada se as operadoras fizeram algo para evitar a brecha no sistema, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) respondeu que não confirma as informações. "A Anatel está colaborando com a Polícia Federal, empregando todos os instrumentos e equipes técnicas disponíveis. Para garantir o necessário sigilo à operação, não serão divulgadas mais informações no presente momento".

Fonte: G1 / Telesíntese

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