Julian Assange mostra sinais de desorientação em audiência de extradição

Por Felipe Demartini | 22 de Outubro de 2019 às 12h13
(Foto: Associated Press)
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Julian Assange compareceu nesta segunda-feira (22) a um tribunal em Londres, na Inglaterra, demonstrando sinais de desorientação e dificuldade de raciocínio. Essa foi a primeira aparição pública de Assange desde que ele saiu da embaixada do Equador no país, com o delator sendo ouvido como parte de um processo de extradição para os Estados Unidos, onde é procurado por crimes de espionagem.

De acordo com relatos oficiais, Assange aparentava estar bem fisicamente, com a barba feita e os cabelos penteados. Entretanto, ele teve dificuldades em lembrar o próprio nome completo e sua data de nascimento, afirmando, ao final da audiência, não saber exatamente o que havia acabado de acontecer. Essa foi a primeira vez que o delator foi ouvido pessoalmente em um tribunal, pois os encontros anteriores aconteceram por videoconferência diretamente da prisão de Belmarsh, onde ele aguarda o resultado do processo de extradição.

O fundador do WikiLeaks associou seu estado mental à situação de reclusão e isolamento à qual está sendo submetido, afirmando não ter acesso a documentos pessoais e informações de seu processo. Ele afirma estar trabalhando em sua própria defesa com recursos limitados, enquanto seu advogado, Mark Summers, acusou o governo dos Estados Unidos de estar interferindo no processo, tanto em relação à situação prisional de Assange quanto no acesso a dados e informações que estavam em dispositivos usados por ele durante seu asilo na embaixada.

Julian Assange parecia bem fisicamente em audiência, mas demonstrou sinais de desorientação enquanto criticava suas condições prisionais (Imagem: Julia Quenzer/Reuters)

Diante disso, a defesa solicitou o adiamento na data da próxima audiência, um pedido negado pela juíza Vanessa Baraitser. Assange deve comparecer a uma nova audiência em dezembro, enquanto a análise final sobre o pedido de extradição deve começar a ser realizada em fevereiro do ano que vem.

Fora dos tribunais, Summers voltou a atacar o governo dos Estados Unidos, afirmando que o país trabalha em uma conspiração para negar o amplo direito de defesa a Assange. Ele também acusou o governo americano de tentar sequestrar o delator, com homens encapuzados invadindo a embaixada do Equador durante o asilo em uma tentativa de levá-lo à força. O advogado não deu mais detalhes sobre o caso, que pode detonar um incidente diplomático entre os dois países caso seja comprovado.

Assange cumpre, atualmente, uma pena de quatro anos de prisão por ter violado os termos de sua liberdade condicional, deixando de comparecer a audiências sobre acusações de assédio sexual que já foram arquivadas pela Justiça da Suécia. Além disso, ele combate o citado processo de extradição para os Estados Unidos, onde pode responder por crimes de espionagem e vazamento de documentos confidenciais ligados à sua atuação enquanto editor do WikiLeaks.

Ele sempre negou os crimes dos quais foi acusado e afirmou diversas vezes que o processo por assédio estava relacionado, justamente, a um conluio do governo de seu país-natal, a Austrália, com os EUA para garantir sua extradição. Foi por isso que ele buscou asilo na embaixada do Equador em Londres, onde permaneceu de 2012 até o segundo semestre de 2019, quando o governo do país encerrou a permissão para que ele ficasse lá.

Fonte: NBC News

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