Hacking Team seria capaz de rastrear transferências de Bitcoins

Por Redação | 15 de Julho de 2015 às 09h30

O vazamento de mais de 400 GB de dados do Hacking Team, a empresa italiana que fornecia spywares e softwares de rastreamento para agências de segurança, continua revelando mais detalhes sobre as táticas de espionagem e vigilância empregadas pelos hackers ditos “do bem”. Agora, o alvo são as Bitcoins, com uma série de e-mails indicando que a companhia seria capaz de rastrear as transferências feitas com a moeda virtual.

A funcionalidade faria parte do Remote Control, o principal software da empresa utilizado para rastrear praticamente todo tipo de uso em computadores, celulares e tablets. A atualização 9.2 do programa, lançada em janeiro do ano passado, teria como principal destaque uma novidade interessantíssima para os clientes – a possibilidade de rastrear todo o caminho feito não apenas pelas Bitcoins, mas também por uma série de outras criptomoedas.

A quebra na segurança do sistema aconteceria, na verdade, por meio das carteiras virtuais utilizadas para as transações, que, em teoria, deveriam ser tão seguras quanto o dinheiro virtual em si. Na prática, porém, não é bem assim e a manipulação de certos arquivos destas aplicações daria acesso não apenas ao histórico de transferência, mas também à quantidade de moedas armazenadas, senhas de acesso, contatos e negociações anteriores.

Tais dados, quando cruzados com o sistema de transações anônimo das Bitcoins, mas disponível publicamente, seriam capazes de dar o histórico completo do caminho feito por uma moeda. Dessa maneira, ficaria fácil rastrear de onde ela veio, por quais mãos passou e, claro, quebrar uma das principais características de proteção da moeda.

As informações aparecem em uma série de e-mails trocados entre representantes do Hacking Team e potenciais clientes ou parceiros comerciais. Em uma das mensagens, inclusive, o autor afirma que o administrador do Silk Road, Ross “Dread Pirate Roberts” Ulbricht, é prova viva de que um rastreamento desse tipo é possível, dando a entender que a operação que causou o fechamento do mercado virtual de drogas e resultou em sua prisão teve como principal arma o Remote Control.

Entre as agências e governos que mostraram interesse pela solução estão o Ministério da Defesa do Egito e o Ministério do Interior da Arábia Saudita. Ambos exibiram a intenção de adquirir a solução do Hacking Team uma vez que a função de rastreamento de Bitcoins foi desativada.

Mais do que tudo isso, na troca de e-mails, o CEO David Vincenzetti faz uma previsão sombria: “as Bitcoins não têm futuro”. Para ele, a obtenção de métodos de rastreamento é o primeiro passo para que a atual iteração das moedas virtuais chegue ao fim e elas sejam substituídas por um protocolo aberto, mais fácil de ser rastreado e, principalmente, ligado a bancos e instituições financeiras globais, de forma a se tornar um padrão adotado em todo o mundo. E, mesmo nesse caso, ele coloca dúvidas sobre a possibilidade do dinheiro efetivamente vingar.

O vazamento das informações confidenciais do Hacking Team veio a público no dia 8 de julho, ironicamente após uma falha de segurança nos sistemas da companhia. Ao todo, são mais de um milhão de e-mails e documentos secretos vazados por meio do WikiLeaks e disponível ao público por meio de ferramentas de busca criadas pelo próprio site.

A revelação dos documentos mostrou que o governo brasileiro também estaria envolvido em negociações com o Hacking Team. A Polícia Federal, por exemplo, é citada em e-mails como interessada em obter as ferramentas de rastreamento da empresa. Outros órgãos citados incluem departamentos de repressão a crimes digitais de São Paulo e Rio de Janeiro, além do Centro de Instrução de Guerra Eletrônica, que faz parte do Exército.

Fonte: WikiLeaks, Ars Technica

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