Governo dos EUA pode ter falsificado VPN para rastrear usuários de bitcoin

Por Ramon de Souza | 23 de Março de 2018 às 09h31
photo_camera Divulgação

De acordo com documentos sigilosos da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (National Security Agency ou NSA) vazados pelo ex-agente Edward Snowden, o governo dos EUA tentou rastrear usuários de bitcoin e outras criptomoedas em meados de março de 2013. Quem revelou tal informação foi o jornal The Intercept, editado por Gleen Greenwald, jornalista que ajudou Snowden na divulgação dos programas de espionagem norte-americanos.

De acordo com os memorandos internos da agência, o rastreamento dos internautas só foi possível através de um projeto batizado de OAKSTAR, que era composto por parcerias internacionais e um software chamado MONKEYROCKET. Esse programa, descrito nos documentos como “um serviço de anonimização não-ocidental”, foi disponibilizado na internet com outro nome e sob o falso pretexto de possibilitar uma navegação anônima para seus usuários.

Dessa forma, podemos supor que o MONKEYROCKET era, na verdade, um software de espionagem disfarçado como uma VPN qualquer, que foi usada por inúmeros internautas, crentes de que a ferramenta protegeria sua privacidade online. O tráfego, contudo, era redirecionado diretamente para a NSA. Através desse truque, a agência teria conseguido senhas, históricos de navegação e informações capazes de identificar dispositivos online, como os endereços MAC e endereços IP originais dos cidadãos espionados.

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Relatórios vazados falam sobre o "desempenho" do MONKEYROCKET (Imagem: The intercept)

O mais incrível é que o MONKEYROCKET foi lançado no mercado em 2012 e chegou a atingir “uma relevante base de usuários” no Irã e na China, além de também ter grampeado algumas telecomunicações na Europa e na América do Sul.

Procurada pelo The Intercept, a NSA não quis comentar sobre o assunto; a Fundação Bitcoin não estava imediatamente disponível para falar a respeito da polêmica.

Fonte: The Intercept

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