Governo dos Estados Unidos passou 10 anos monitorando a internet graças à AT&T

Por Redação | 17.08.2015 às 08:42
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Engana-se quem acredita que as polêmicas envolvendo as práticas de espionagem dos Estados Unidos chegaram ao fim. O país voltou a ser alvo de mais discussões após documentos revelarem que o governo estava monitorando grandes volumes de tráfego de internet. E a situação ficou ainda mais complicada quando foi descoberto que isso foi feito com a ajuda de uma das maiores operadoras de telefonia do país.

De acordo com o jornal The New York Times, os documentos liberados por Edward Snowden revelam que a AT&T forneceu à Agência de Segurança Nacional — a famosa NSA — os meios e a assistência necessária para que o órgão vigiasse os dados de navegação que passavam pelo país. Como aponta a publicação, essa parceria era algo já conhecida do púbico, mas documentos recém-divulgados mostram que esse relacionamento era um pouco mais profundo do que se imaginava.

A agência de espionagem descreve o apoio da companhia de comunicação como algo único e especialmente produtivo. Outros documentos ainda vão além, afirmando que a aproximação da AT&T é altamente colaborativa ou destacando que a empresa estava extremamente desejosa em ajudar.

NSA

O mais assustador, no entanto, é que essa facilidade da NSA para monitorar os dados de tráfego não é algo recente, mas que perdurou ao longo de toda uma década. Segundo os documentos citados pelo The New York Times, a agência e a AT&T espionaram dados entre 2003 e 2013 — o que significa que muita coisa foi vista pelo governo dos Estados Unidos sem que você tivesse a mínima ideia disso.

Os documentos detalham ainda o funcionamento dessa parceria. Segundo consta, a operadora de telefonia acobertava a situação a partir de estratégias legais e fornecia acesso a bilhões de e-mails que circulavam a partir de redes domésticas.

Só que isso não envolve apenas os cidadãos comuns ou mesmo aqueles suspeitos de estarem envolvidos em atividades criminosas. Como aponta o jornal norte-americano, essa comunicação monitorada permitia que o governo dos Estados Unidos vigiasse empresas e demais órgãos internacionais que, porventura, utilizassem os serviços da AT&T. Um dos exemplos citados é da própria sede da Organização das Nações Unidas, a ONU.

Os documentos revelam ainda que o orçamento liberado pela NSA em 2013 para a parceria com a AT&T corresponde ao dobro do valor gasto no segundo maior programa desse tipo. Tanto era o cuidado em manter a companhia por perto que, em determinado momento da papelada, há uma recomendação aos oficiais da agência de espionagem para que eles sejam educados em suas visitas aos escritórios da empresa, uma vez que aquilo era uma parceria e não um acordo meramente contratual.

Espionagem telefone

Diante disso tudo, foi revelado que a operadora instalou equipamentos de monitoramento em pelo menos 17 hubs de internet nos Estados Unidos. Esse número corresponde a um total bem maior do que o apresentado pela Verizon, sua principal competidora no país. Além disso, é descrito que os engenheiros da AT&T ainda tentaram instalar novas tecnologias de espionagem criadas pela NSA.

Questionada sobre o assunto pelo The New York Times, a companhia telefônica se negou a responder e disse que não comenta sobre assuntos de segurança nacional.

Diante disso, como o próprio jornal aponta, é difícil saber se a parceria ainda existe e se ela funciona da mesma maneira como descrito nos arquivos. Desde que Snowden liberou vários documentos que revelavam as práticas de espionagem do governo norte-americano, muita coisa mudou e essa parceria pode ter sido uma delas.

Ainda assim, a briga continua. O governo tenta na Justiça fazer com que a identidade de seus parceiros permaneça incógnita. Ao mesmo tempo, vários clientes da própria AT&T entraram com uma ação contra a NSA alegando que o monitoramento feito pela agência viola a Quarta Emenda à Constituição dos Estados Unidos, que protege a população exatamente contra buscas arbitrárias.

Via: The New York Times