EUA espionaram Dilma Rousseff e alto escalão do governo brasileiro

Por Redação | 06.07.2015 às 13:10

Novos documentos vazados pelo WikiLeaks revelaram que o governo dos EUA espionou ativamente a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, além de outros membros de seu gabinete, durante seus primeiros anos no poder. 29 telefones teriam sido grampeados como parte de um “programa de monitoramento de governos estrangeiros”, que seria realizado de forma cotidiana pela agência americana.

A lista revela, por exemplo, que o telefone por satélite instalado no avião presidencial – e uma das principais formas de contato usadas pela presidente durante os voos – está entre os grampeados. Além disso, constam ali nomes como Antonio Palocci (que na época era chefe da Casa Civil), o ex-subsecretário geral de Meio Ambiente Washington Luiz Alberto Figueiredo, Nelson Barbosa, que atuava como secretário executivo do Ministério da Fazenda, e José Elito Siqueira, que era ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, além de assessores do PT e também assistentes pessoais de Dilma.

Telefones do palácio presidencial, inclusive alguns que davam acesso direto à presidente, também foram grampeados, além de números do Banco Central do Brasil e de outros gabinetes do governo. Celulares pessoais e embaixadas brasileiras em países como Alemanha, Suíça, França e Estados Unidos também estão na lista de grampos.

Para o WikiLeaks, mais do que uma operação contra membros-chave do governo brasileiro, trata-se de uma campanha de espionagem econômica. A ideia de que a gestão da economia e da diplomacia nacionais foram alvos mostram uma ação com diferentes objetivos e uma flagrante quebra da soberania e das relações diplomáticas entre os dois países.

Todos os números eram considerados “alvos prioritários”, o que significa que eles tinham preferência na análise de dados e composição de relatórios em meio às diversas operações de espionagem que estavam em curso. A partir das informações dos grampos, a NSA teria composto relatórios sobre negociações com instituições financeiras, políticas macroeconômicas, orçamentos e contratos internacionais. Tais documentos, porém, não foram divulgados.

As revelações foram feitas em parceria com empresas de mídia do Brasil, além do The Intercept, publicação online focada na defesa de liberdades individuais e que tem como um de seus editores o jornalista Glenn Greenwald. Ele esteve envolvido, recentemente, no escândalo de espionagem detonado pelo ex-analista Edward Snowden, que também revelou grampos e ações da NSA contra governos e os próprios cidadãos americanos.

Foi justamente esse caso que levou, em 2013, ao cancelamento de uma visita oficial de Dilma aos Estados Unidos, após a revelação dos primeiros indícios de espionagem contra o governo brasileiro. Nesta semana, ela visitou o presidente Barack Obama pela primeira vez desde então, e brincou com o fato, afirmando que, a partir de agora, ele poderia telefonar para ela sempre que quisesse saber algo sobre o Brasil.

A visita teria servido, justamente, como uma prova de que o escândalo entre os dois países já foi deixado para trás, uma afirmação que foi ecoada pelo ministro da Comunicação Social, Edinho Silva. Segundo ele, mesmo com a revelação dos novos grampos, os episódios de espionagem já estão superados.

Fontes: WikiLeaks, G1, Agência Pública