Edward Snowden explica como a NSA consegue fotos íntimas dos usuários

Por Redação | 06 de Abril de 2015 às 11h34
photo_camera Divulgação

Quase dois anos após divulgar documentos secretos da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA), Edward Snowden concedeu mais uma entrevista para falar sobre os arquivos que comprovam um gigantesco esquema de ciberespionagem comandado pelo governo norte-americano. Desta vez, o ex-técnico da entidade participou do programa Last Week Tonight, do apresentador e comediante John Oliver.

Em um bate-papo bem descontraído, Snowden afirma sentir saudade dos EUA, sua casa e sua família. Atualmente, o americano vive asilado na Rússia, onde deve permanecer até 2017 até receber uma nova autorização para permanecer no país. Ninguém sabe onde Snowden está morando, nem mesmo seus parentes ou amigos mais próximos, e especula-se que o ex-funcionário da NSA precisa andar disfarçado para conseguir fazer coisas normais do dia a dia, como ir ao supermercado, sem ser reconhecido.

Oliver também questionou Snowden sobre o que teria levado a NSA a espionar governos e usuários em todo o mundo. De acordo com o americano, a agência tem "as maiores capacidades de monitoramento já vistas em toda a história", mas que o órgão declara que elas não são usadas contra os cidadãos americanos. "Em alguns aspectos isso é verdade. Só que o real problema é que eles estão usando esses recursos para nos tornar vulneráveis a eles", afirmou. Ele continua, dizendo que "espiões são fortes quando estão do nosso lado, mas também não incrivelmente poderosos e perigosos".

No programa, Oliver também exibiu vídeos de alguns americanos que deram suas opiniões sobre espionagem. A maioria disse não saber quem é Edward Snowden e os que conheciam o nome acreditavam que ele vendeu informações para outras pessoas. Outros confundiram o ex-técnico com Julian Assange, fundador do WikiLeaks.

Os vídeos também mostraram como os americanos se sentem ao saber que suas fotos íntimas estão sendo monitoradas pela NSA por meio de sistemas de ciberespionagem. "A boa notícia é que não existe nenhum programa chamado 'imagem de pênis'. A má notícia é que eles ainda coletam todas as suas informações, incluindo fotos do seu pênis", declarou Snowden. "Se você tem um e-mail, como o Gmail, hospedado em um servidor no exterior ou que transfere seus dados para um servidor fora dos Estados Unidos, todas as suas informações vão parar no banco de dados [da NSA]".

Sobre isso, Snowden se referiu ao PRISM, um dos programas usados pela agência para espionar milhões de pessoas em todo o mundo. Ele teria sido utilizado por várias empresas de tecnologia para ajudar a entidade a coletar informações dos usuários.

Um dos momentos mais curiosos da entrevista foi quando Oliver perguntou a Snowden quantos documentos da NSA o ex-agente leu - algo que ele acabou não respondendo. "Existe uma diferença entre entender o que está nos arquivos e ler o que está nos arquivos, porque quando se tem milhares de documentos da NSA a última coisa que você faria é ler todos eles", disse o ex-analista. Segundo o governo americano, Snowden teria se apropriado de 1,7 milhão de documentos secretos guardados em computadores da agência.

Ao final, Snowden reforçou sua posição de que as pessoas precisam defender seus direitos como usuários de internet. Além disso, ele acredita que programas de espionagem não devem intimidar os internautas, nem fazer com que eles mudem suas atitudes no real ou no virtual. "Você não deve mudar seu comportamento só porque uma agência do governo está fazendo a coisa errada. Se sacrificarmos nossos valores por causa do medo, é porque não nos preocupamos muito com esses valores", concluiu.

Abaixo você assiste a um trecho da entrevista de Snowden ao Last Week Tonight (em inglês):

Fonte: Last Week Tonight with John Oliver

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