Edward Snowden critica presidente Dilma por não criptografar suas ligações

Por Redação | 18 de Março de 2016 às 12h22
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Depois de Frank Underwood "usar" o Twitter para fazer piada da grave crise política brasileira, chegou a vez de Edward Snowden se posicionar sobre a situação. Na noite desta quinta-feira (17), o ex-técnico da Agência de Segurança Nacional (NSA) dos Estados Unidos, postou no microblog uma mensagem citando o grampo telefônico envolvendo o ex-presidente Lula e a presidente Dilma Rousseff.

No tweet, Snowden, que atualmente vive asilado na Rússia, publicou algumas manchetes da imprensa americana de setembro de 2013 e de agora em 2016, destacando o fato de que, aparentemente, Dilma não tomou nenhuma providência para garantir a segurança de suas ligações. Snowden também utilizou a expressão "going dark" ("ficando no escuro", na tradução livre) para se referir ao uso de criptografia em comunicações.

"'Going dark' é um conto de fadas: três anos após as manchetes de escuta de @dilmabr ela ainda está fazendo chamadas não criptografadas", comentou o ex-funcionário da NSA.

Snowden se refere aos acontecimentos da última quarta-feira (16), quando o juiz Sérgio Moro, da Justiça Federal do Paraná, retirou o sigilo de interceptações telefônicas de Lula e divulgou na imprensa o grampo de uma conversa entre ele e a presidente Dilma gravada pela Polícia Federal. A divulgação do material veio horas depois de Lula ser anunciado como novo ministro da Casa Civil, o que para muitos brasileiros é motivo de revolta, já que o ex-presidente está sendo alvo de investigações na Operação Lava Jato e por supostamente ter omitido ser dono de duas propriedades de alto padrão.

Outra referência apontada por Snowden é o caso revelado em 2013 em que apontava a presidente Dilma como um alvo direto da espionagem da NSA. Os documentos ultrassecretos, obtidos pelo jornalista britânico Glen Greenwald das mãos de Snowden, são de junho de 2012 e mostram que a agência de inteligência interceptou as comunicações de Dilma com seus principais assessores. A Petrobras também foi espionada, por motivos que ainda não foram explicados. Além de Dilma, o presidente do México, Enrique Peña Nieto, foi outro alvo da vigilância da agência.

Asilado

Desde agosto de 2013, pouco depois de divulgar o gigantesco esquema de ciberespionagem comandado pela NSA, Snowden vive refugiado na Rússia em um local que nem mesmo seus parentes ou amigos mais próximos sabem onde fica. Ele tem autorização para permanecer no país até 2017, quando espera dar continuidade ao processo para garantir sua cidadania russa e permanecer definitivamente no país. O ex-analista da agência acredita que nunca mais possa voltar aos EUA, pois será condenado a anos na prisão por ter vazado segredos dos programas de vigilância americanos.

Na época em que revelou que a NSA espionava a presidente Dilma, Snowden disse que adoraria morar no Brasil caso o país lhe oferecesse asilo. Um pedido formal de Snowden foi enviado assim que ele chegou no aeroporto de Sheremetyevo, na Rússia, em 2013, mas que ele não sabia se o governo havia recebeido seu pedido.

Fonte: Edward Snowden (Twitter)