Edward Snowden confirma presença em evento Web Summit no mês de novembro

Por Rafael Rodrigues da Silva | 03 de Outubro de 2019 às 15h45
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O polêmico ex-agente da NSA, Edward Snowden, está confirmado como um dos palestrantes do Web Summit, um evento que acontecerá em novembro na cidade de Lisboa. Ainda que o a presença do ex-analista seja apenas via videoconferência, essa será a primeira aparição pública do especialista desde que ele foi processado pelo governo dos EUA pela divulgação de segredos de estado.

Os organizadores da conferência confirmaram para a Reuters que, ainda que seja em vídeo, a aparição de Snowden será ao vivo, e que o ex-analista da NSA responderá às perguntas de um moderador sobre o trabalho dele para a Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA). Os organizadores do evento anteciparam que esperam que cerca de 70 mil pessoas estejam presentes na conferência, que também será transmitida ao vivo pela internet para todo o mundo.

Snowden ganhou notoriedade quando, em 2013, disponibilizou para membros da imprensa documentos que revelavam como a NSA usava a internet para espionar não apenas alvos considerados como possíveis ameaças terroristas para os Estados Unidos, mas literalmente todas as pessoas do mundo. Isso tudo sem se importar com os limites éticos e legais da privacidade, ignorando soberanias nacionais e tratando todos os países do mundo como submissos à inteligência militar americana.

Apesar disso, o governo norte-americano está processando ele pelo livro Permanent Record, que Snowden lançou em setembro. As autoridades do país afirmam que o ex-agente está violando as cláusulas de não-divulgação previstas no contrato de quando ainda trabalhava na NSA, já que ele não submeteu o livro para revisão do exército dos EUA antes da publicação.

Sim, parece piada pronta: o cara que foi expulso dos Estados Unidos e hoje vive trancado em um quarto de hotel na Rússia por ter exposto alguns dos segredos mais ultrajantes da inteligência do exército, está sendo processado porque não submeteu o livro dele para análise do mesmo exército - que, aliás, o considera como um dos maiores traidores da pátria. Afinal, antes da publicação, eles esperavam que um dos maiores delatores da história recente dos Estados Unidos se sentiria intimidado por conta de uma cláusula de não-divulgação em seu antigo contrato de trabalho.

Mais estranho ainda é que a ação não pede pelo fim da circulação do livro, mas apenas para que todo o lucro da venda dele seja convertido para o governo dos Estados Unidos. De acordo com Zachary Terwilliger, promotor do distrito de Virginia, a ação é uma forma de garantir que as informações obtidas pelos serviços de inteligência sejam usadas para proteger a população, e não para garantir lucros a seus agentes e ex-agentes.

Enquanto Snowden é visto como um traidor pelo governo dos Estados Unidos e uma boa parte da população, muita gente o considera como o herói que sacrificou sua vida para desmascarar os abusos cometidos pela NSA em nome de uma suposta segurança. Logo, será interessante ver qual será o tom das perguntas que ele terá que responder durante o evento em Lisboa.

Fonte: Web Summit

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