Comunicações na Polônia estariam comprometidas por espionagem chinesa

Por Felipe Demartini | 25 de Janeiro de 2019 às 11h40

Autoridades polonesas lançaram uma investigação conjunta com o governo dos Estados Unidos para avaliar o impacto da espionagem chinesa sobre as comunicações do país. Os trabalhos teriam resultado na prisão de duas pessoas ligadas à Huawei, uma das principais fabricantes de produtos dessa categoria no mundo, e levado à noção perigosa de que mais de 50% da infraestrutura de telecom da Polônia pertencem à companhia.

A divulgação da investigação na imprensa internacional acontece após a detenção de Wang Weijing, um dos diretores de vendas da fabricante para o território polonês, e Piotr Durbajlo, especialista em segurança digital que também já trabalhou para o próprio governo. Ambos foram indiciados por espionagem e foram demitidos da Huawei, negando todas as acusações por meio de suas defesas.

O buraco, entretanto, seria mais embaixo e, de acordo com as informações publicadas pela imprensa internacional, até mesmo instituições de ensino do país teriam sido comprometidas pelas relações entre a companhia e o governo chinês. Seria o caso, por exemplo, da Universidade Militar de Tecnologia, uma das mais conceituadas do país, na qual Durbajlo trabalhou como instrutor, com bolsas sendo oferecidas pela Huawei por intermédio de Wang.

As autoridades polonesas ainda não encontraram indícios claros de espionagem e roubo de informações, mas admitem que os chineses estiveram ativos em sua infraestrutura “por diversos anos” e que dar tanto espaço a eles foi um erro. Uma possibilidade levantada pelo governo é que oficiais na própria Polônia façam parte das operações de obtenção de informações não apenas do país, mas também de aliados com quem a nação tem acordos diplomáticos. Um ponto de ligação seria o governo russo, que também estaria envolvido na questão.

Parte da investigação está relacionada aos postos oficiais ocupados por Durbajlo assim que deixou seu posto de instrutor na Universidade Militar de Tecnologia. Antes de trabalhar para a Huawei como contato entre a empresa e clientes locais, ele também ocupou posições no Serviço de Segurança Interna do país, órgão responsável por operações de inteligência, e também em uma comissão de cibersegurança. No momento de sua prisão, ele era funcionário da Orange, operadora francesa que tem cerca de um quarto do mercado mobile polonês.

Por outro lado, a busca por investimentos oriundos da China é uma das iniciativas correntes da Polônia, que vem trabalhando ao longo da última década para atrair dinheiro internacional. Linhas de trem e aeroportos, por exemplo, contariam com financiamento do país asiático, mas as relações entre os dois estariam balançadas há algum tempo. Para especialistas, a investigação sobre espionagem e a descoberta de indícios seria um prego nesse caixão.

Enquanto isso, os Estados Unidos observam a situação com atenção e ajudam o governo polonês nos inquéritos, principalmente devido a seus próprios interesses no país. A região tem importância estratégica e militar para os EUA, que trabalha ao lado da OTAN em um escudo contra ataques balísticos que possam vir do Irã. O projeto levantou polêmica, com Moscou afirmando que, na verdade, a ideia da instalação de uma base na Polônia é mirar misseis contra a Rússia.

O governo chinês, como sempre, manteve sua postura de negar qualquer acusação de espionagem. O mesmo vale para a Huawei, que disse que, apesar de suas origens, trabalha de forma independente ao governo de seu país natal e também de qualquer outra nação em que preste seus serviços.

Fonte: The Wall Street Journal

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