Australiano vazou dados confidenciais em fórum, mas ninguém acreditou

Por Redação | 08 de Agosto de 2015 às 16h15

A tentativa de revelar segredos do governo australiano para o mundo e se tornar um delator conhecido como Julian Assange e Edward Snowden terminou cedo demais para o jovem Michael Scerba, de 25 anos. Ele é acusado de em 2012 ter vazado na internet uma série de documentos sobre um programa de espionagem do país. O problema é que ninguém acreditou nele, o que não impediu que ele fosse preso e acusado pelo crime.

Apesar de o caso ter acontecido há quase três anos, ele só veio a público agora, quando foram publicados documentos da Suprema Corte australiana relacionados ao crime. O vazamento aconteceu no fórum anônimo 4chan, no qual Scerba deixou claro sua admiração a Snowden e Assange. Na época, ele fazia estágio no Departamento de Defesa da Austrália, obtendo assim acesso aos relatórios.

Boa parte das revelações estava relacionada ao programa de espionagem Five Eyes, do qual também fazem parte países como os Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e Nova Zelândia. A ideia da iniciativa é compartilhar dados de inteligência e trabalhar em união para encontrar brechas em softwares e sistemas online para fins de espionagem.

O problema é que apenas 14 pessoas comentaram no tópico de Scerba. Nenhuma delas acreditou na veracidade das informações e, de acordo com o depoimento do jovem, muitos dos comentários o ofendiam pessoalmente pelas supostas revelações falsas. Por não ter atraído atenção, a publicação acabou sendo deletada automaticamente, como é característica do 4chan – as postagens só são mantidas vivas e disponíveis caso exista movimento. Do contrário, elas são apagadas permanentemente.

Isso fez com que muitas das revelações feitas por ele acabassem perdidas para sempre. Como um funcionário do Departamento de Defesa, e também usuário do 4chan, descobriu a publicação, as autoridades puderam chegar rapidamente a Scerba e apreender computadores e outros dispositivos, retirando dele o acesso às documentações que possuía. Segundo o jovem, os relatos falavam sobre bombardeios ilegais, mortes de civis e ações ostensivas sob o pretexto de uma guerra ao terror.

O caso, além de chamar a atenção para a possibilidade de que existam outros vazamentos semelhantes, também está gerando protestos de ativistas pelos direitos civis. De acordo com as leis australianas, os documentos de casos que envolvam segredos de Estado têm circulação limitada, até mesmo para advogados dos réus, e podem ser destruídos 28 dias após o fim dos procedimentos jurídicos. Para muitos, isso vai resultar em uma defesa insatisfatória para Scerba e em uma pena desproporcional ao crime cometido.

Fontes: Brisbane Times, Engadget

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