Aplicativos espiões são tirados da Play Store após polêmica; Entenda!

Por Ariane Velasco | 20 de Agosto de 2019 às 22h10
Divulgação

Existem muitos serviços que, embora oferecidos de maneira prática e ao alcance de todos na Internet, são ilegais ou, no mínimo, antiéticos. A exemplo disso, foram descobertos recentemente sete aplicativos que tinham como finalidade rastrear todas as atividades de outras pessoas em seus smartphones. As vítimas geralmente eram cônjuges, filhos ou até mesmo funcionários de quem baixava os apps, que estavam totalmente disponíveis na Play Store, a loja de aplicativos da Google.

Os responsáveis pela descoberta desses aplicativos são especialistas que detectam ameaças em dispositivos móveis a serviço do Avast. De acordo com um relatório divulgado por eles, mais de 130 mil pessoas já haviam baixado os apps em questão via Play Store.

Como os aplicativos espiões funcionavam

Para o correto funcionamento desses apps, era necessário que eles fossem também instalados via Play Store nos smartphones das vítimas. Após a instalação, todas as informações desses aparelhos eram registradas e podiam ser acessadas pelo celular de quem queria ter acesso a elas. O espião podia ter acesso a aplicativos de mensagens instantâneas das vítimas, como o WhatsApp. Além disso, era possível ver sua lista de contatos, SMS, histórico de chamadas e localização.

Aplicativos espiões foram retirados da Play Store (Imagem: Getty Images)

Aplicativos ajudavam stalkers

A palavra “stalker” serve para designar uma pessoa que persegue e vigia uma outra de forma obsessiva, o que pode resultar em ataques ou agressões. Em alguns estados dos EUA, a prática de stalking é considerada crime passível de detenção. Já no Brasil, o ato é assunto de controvérsias, pois pode ser configurado como contravenção penal (com pena de 15 dias ou multa) quando não há ameaça direta à integridade da vítima, ou como crime, quando é acompanhado por injúria, difamação, assédio ou, em casos mais graves, agressão ou tentativa de homicídio. No entanto, atualmente há há um projeto em vigor no Senado que busca tornar o stalking e o cyberstalking (perseguição online) um crime passível de punição severa nos termos da lei, quer ele seja acompanhado de algum delito mais grave ou não.

Por conta disso, assim que a Google foi informada de que sua Play Store continha aplicativos que poderiam funcionar como ferramentas para a execução de tal ato, eles foram imediatamente retirados do ar.

Os aplicativos espiões ajudavam stalkers a perseguir suas vítimas (Foto: Marco_Piunti/Getty Images)

Os aplicativos espiões eram descritos como benéficos

Em sua descrição na Google Play Store, os desenvolvedores dos apps os descreviam como ferramentas que poderiam controlar o acesso de crianças a determinados sites da Internet a fim de protegê-las, ou até mesmo administrar o rendimento dos funcionários de uma empresa. No entanto, é evidente que essas ferramentas invadem a privacidade de terceiros e podem ser utilizadas por pessoas mal intencionadas. E, por isso mesmo, a Google optou por removê-los.

Confira, a seguir, a lista com os apps em questão:

  • Track Employees Check Work Phone Online Spy Free;
  • Phone Cell Tracker;
  • Spy Kids Tracker;
  • Mobile Tracking;
  • Spy Tracker;
  • SMS Tracker;
  • Employee Work Spy.
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