Wikileaks vaza documentos secretos de empresas de espionagem ligadas a governos

Por Redação | 04.09.2013 às 15:15

Nesta quarta-feira (04), o Wikileaks divulgou uma publicação intitulada "Spy Files 3", em que disponibiliza 249 documentos de 92 empresas do setor de vigilância em todo o mundo. Os documentos mostram a crescente complexidade dessa indústria de vigilância, capaz de fornecer aos governos softwares de espionagem cada vez mais sofisticados.

As centenas de páginas de documentos incluem uma série de folhetos comerciais, memorandos internos e faturas dessas empresas especializadas na monitoração eletrônica. Os documentos também detalham métodos de interceptação em massa para comunicações de voz, SMS, MMS, e-mail, Skype e outras comunicações de telefone via satélite.

Os dados presentes nos documentos foram compilados por uma seção de contrainteligência recentemente montada pelo Wikileaks. "Os dados coletados permitem que jornalistas e cidadãos pesquisem mais profundamente a indústria de vigilância privada, ao vigiar aqueles que nos vigiam", explica Julian Assange, cofundador do Wikileaks, por meio de um comunicado.

Assange diz ainda que o Spy Files é uma "fonte valiosa para jornalistas e cidadãos", pois detalha e explica como as agências de inteligência secretas dos governos estão se fundindo com o mundo corporativo em suas tentativas de colher as comunicações eletrônicas que desejam.

"Mercenários digitais"

Uma das corporações monitoradas foi o Gamma Group, criador do software espião FinFisher e das variações FinSpy e FinFly. O nome da corporação é um do que se destaca em uma lista de "mercenários digitais", que vendem a sua tecnologia de vigilância a regimes autoritários – incluindo o Egito.

Durante uma busca em um escritório da agência de inteligência egípcia em 2011, ativistas de direitos humanos encontraram uma proposta de contrato da Gamma Group para vender o FinFisher ao país, até então liderado pelo ditador Hosni Mubarak que desejava espionar manifestantes durante a revolução que o tirou do poder.

Outra empresa citada nos documentos provenientes da contrainteligência do Wikileaks é a inglesa Cobham, uma das maiores do mercado de vigilância global. Os registros divulgados no Spy Files 3 mostram que o diretor de vendas da empresa, Neil Tomlinson, visitou os Emirados Árabes, o Líbano, o Qatar e o Kuwait neste ano. A empresa italiana Hackingteam também aparece na lista, através do nome de seu diretor de vendas Marco Bettini – que, inclusive, esteve em Brasília para o ISS Latin America, em julho deste ano.