Snowden quebra o silêncio e concede entrevista ao New York Times

Por Redação | 18.10.2013 às 13:14 - atualizado em 18.10.2013 às 14:41

Pela primeira vez desde que conseguiu asilo na Rússia, Edward Snwoden falou com a imprensa. O ex-analista da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA) conversou com um repórter do New York Times por meio de "comunicações criptografadas" ao longo da semana passada.

Snowden afirmou que entregou todos os documentos que obteve na NSA a jornalistas que ele conheceu em Hong Kong, antes de voar para Moscou, Rússia, e não manteve nenhuma cópia dos papéis – o que, segundo ele, significava que havia "0% de chance" de eles caírem nas mãos do governo russo ou chinês, conforme especulações. Snowden alega que entregou todos os documentos para se livrar da "tomada de decisão de sua publicação".

Ele também sustentou sua versão de que os vazamentos ajudaram, ao invés de interferir, a segurança dos Estados Unidos. "A continuidade secreta desses programas [de espionagem] representa um perigo muito maior do que sua divulgação", disse Snowden.

O ex-analista ainda contestou uma nota negativa registrada por seu supervisor na NSA em seu arquivo pessoal da CIA. A tal nota foi relatada na semana passada pelo próprio NYT, e supostamente dizia que o superior havia notado uma nítida mudança no comportamento e nos hábitos de trabalho de Snowden. O delator do programa de espionagem norte-americano alega que a nota foi resultado de uma briga "mesquinha" via e-mail com seu gerente sênior na NSA.

A retaliação para esta pequena briga foi uma das coisas que convenceram Snowden a denunciar os programas secretos. Ele disse ainda que qualquer outro tipo de esforço para comunicar as infrações teria sido "enterrado para sempre", e ele seria "desacreditado e arruinado". Ele acrescentou que "o sistema não funciona", já que "você precisa denunciar as irregularidades aos principais responsáveis por elas".

Ele explica que a decisão de vazar as informações foi tomada após ver um relatório do inspetor-geral do programa de escutas sem mandado. O relatório era de 2009, mas Snowden não revelou ao periódico o quanto leu desses papéis.

Snowden também se recusou a fornecer detalhes sobre sua atual condição de vida em Moscou. Ele se limitou a dizer que não estava sob o controle do governo russo e que estava livre para se movimentar pelo país.