Snowden pode ter tido ajuda com vazamentos, diz chefe de inteligência dos EUA

Por Redação | 04.10.2013 às 11:59

Mike Roger, republicano e presidente do Comitê de Inteligência da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, acredita que Edward Snowden pode não ter agido sozinho no caso da denúncia de espionagem da Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA).

Durante um painel promovido pelo The Washington Post em um evento de segurança cibernética na última quinta-feira (03), Roger disse que acredita que o ex-colaborador da NSA teve ajuda para conseguir os documentos que acusam a Agência de espionar cidadãos comuns, isso porque enquanto trabalhava para a NSA, Snowden não poderia ter conhecimento e muito menos acesso às informações que ele divulgou para o mundo.

O republicano não disse diretamente se ele suspeita que Snowden teve ajuda de dentro ou de fora da NSA. O moderador do Washington Post perguntou se Rogers estava dizendo que havia "indícios de que Snowden tinha a ajuda de outro governo". O político respondeu: "Eu não disse 'prova' ou 'governo'", mas completou dizendo que seu trabalho é olhar o cenário como um todo, e precisa considerar a possibilidade de Snowden ter recebido ajuda em "suas pesquisas e em algumas das medidas de segurança que foram contornadas".

Rogers disse ainda que não está surpreso com o fato de outros governos estarem "atiçando o fogo" na controvérsia sobre os programas da NSA, embora ele afirme que a maioria das outras nações também possui seus próprios serviços de coleta de informações não verificadas. "Essa pode ser a operação de espionagem mais brilhante conduzida pelos Estados Unidos na história do mundo. Esse é um momento muito perigoso para nós", disse.

Mike Rogers

Mike Rogers no CyberSecurity Summit 2013 (Foto: Reprodução / Reuters)

Para Rogers, o acesso de Snowden a algumas informações é realmente suspeito. "Quando você olha para algumas das coisas que ele fez, elas podem ter sido um pouco além de suas capacidades [...] Estamos um pouco preocupados de que possa haver mais nessa história do que aparenta".

General Michael Hayden, ex-diretor da NSA e da CIA, também participou do painel e sugeriu que não havia outra explicação para o acesso do Snowden, a não ser que ele estava envolvido em uma "campanha sustentada de longo prazo. Ele disse ainda que Snowden não pode ter simplesmente "se ofendido de repente com algo que ele encontrou" enquanto realizava seu trabalho na Agência. Na NSA, Snowden era responsável por puxar dados para compartilhar com os oficiais da inteligência dos Estados Unidos após os ataques de 11 de setembro, o que facilitou seu acesso aos dados mais secretos.

Durante o evento, Rogers e Hayden "brincaram" com o fato de Snowden ter sido indicado a um dos prêmios de Direitos Humanos mais prestigiados da Europa e disseram que queriam colocá-lo em uma espécie de lista da morte.

"Devo admitir que, em meus momentos mais escuros ao longo dos últimos meses, eu também tinha pensado em nomear o Sr. Snowden, mas foi para uma lista diferente", disse Hayden. A plateia riu e Rogers respondeu dizendo: "Eu posso te ajudar com isso". Os detalhes da conversa foram revelados por Brendan Sasso, repórter do The Hill, em uma série de tweets que envolveram também o jornalista Glenn Greenwald.