Senadora americana acusa CIA de invadir computadores do Congresso

Por Redação | 12.03.2014 às 18:51
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A senadora americana Dianne Feinstein, do Partido Democrata, denunciou em sessão do Senado nesta terça-feira que funcionários da CIA (Central de Inteligência Americana) teriam invadido computadores e apagado arquivos de uma comissão parlamentar que investiga denúncias de tortura contra a agência. Os documentos apagados se referem ao Programa de Detenção e Interrogação, criado em 2001 para investigar suspeitos de terrorismo. Para Feinstein, a invasão de computadores por parte da CIA é uma séria violação da Constituição americana e da separação de poderes, e o assunto deve ser levado ao Departamento de Justiça. As informações são do Washington Post.

A disputa entre Feinstein e a CIA gira em torno de um documento interno da agência, o Panetta Review, que teria chegado a conclusões semelhantes às do comitê de investigação e destoa dos pronunciamentos públicos da agência sobre seu programa de detenção. A senadora refutou acusações de que teria chegado ao documento de forma ilegal, afirmando que ele foi encontrado por uma ferramenta de busca disponibilizada pela CIA, e que não há formas de saber se ele foi compartilhado intencionalmente ou não. “Ao longo dos anos, em diversas ocasiões nossos funcionários perguntaram à CIA sobre documentos disponibilizados à comissão. Algumas vezes, a CIA simplesmente não sabia que documentos específicos foram dados à comissão”. Ela frisou que mais de 6,2 milhões de páginas foram colocadas à disposição da investigação, o que daria margem a erros por parte da agência.

Ainda na noite de terça-feira o diretor da CIA, John Brennan, falou ao canal de televisão NBC e negou que seus funcionários tenham cometido algum crime. “Quanto a alegações de que a CIA teria hackeado computadores do Senado, nada poderia ser mais longe da verdade”. De acordo com Feinstein, não é a primeira vez que a CIA interfere com a investigação. Em 2010, cerca de 900 arquivos teriam sido apagados dos computadores utilizados pela comissão, mas na ocasião a agência entrou com um pedido de desculpas e disponibilizou novamente todos os documentos excluídos.

O Programa de Detenção e Interrogação da CIA foi criado em 2001, no governo de George W. Bush, para investigar suspeitos de terrorismo relacionados aos ataques do 11 de setembro. O programa foi alvo de diversas denúncias de tortura e de destruição de evidências, e foi descontinuado em 2010 pelo presidente Obama. Em 2009, o Congresso criou um comitê liderado pela senadora Dianne Feinstein para investigar a conduta da CIA durante suas interrogações. Em 2012, o comitê entregou ao Congresso um relatório de 6.300 páginas, que até hoje é mantido secreto pelo legislativo. Feinstein pretende torná-lo público no futuro, e diz ter o aval da Casa Branca para isso.