"Sabemos que todos os países estão fazendo espionagem", afirma UIT

Por Redação | 15.07.2013 às 16:00

A proposta brasileira de que países emergentes devem participar mais dos organismos de governança da internet foi aceita com sucesso pelos demais membros que participaram da Conferência Mundial de Telecomunicações Internacionais no final do ano passado, porém o projeto não evoluiu muito desde então. Agora, o escândalo do caso PRISM reacendeu a iniciativa brasileira de tirar o controle da Internet das mãos dos Estados Unidos – e o país decidiu levar a discussão para a União Internacional de Telecomunicações (UIT).

Citando essa pressão feita por governos de diversos países para que a espionagem por parte dos EUA seja tratada como um acordo internacional, o diretor máximo da organização disse que o mundo já vive uma chamada "guerra cibernética" e que chegou a hora de um "tratado de paz cibernético" entre os governos.

"Sabemos que todos os países estão fazendo isso (espionagem). Eu conversava com um embaixador outro dia que me confessou: não sei por que estão todos surpresos diante das histórias de espionagem. Todos nós fazemos isso", disse o secretário-geral da UIT, Hamadoun Touré, de acordo com Jamil Chade, do jornal O Estado de S. Paulo. A declaração foi feita durante uma coletiva de imprensa que aconteceu nesta segunda-feira (15) em Genebra.

Touré admite que nem seu próprio e-mail está seguro contra espionagens e que ele "seria estúpido se achasse isso", até porque as mensagens eletrônicas do próprio diretor da agência de inteligência civil do governo norte-americano, a CIA, são revisadas. "Governos devem parar de realizar essas ações e apenas uma organização internacional pode trazer a uma mesma mesa governos para debater o assunto", completou.

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