Reformas na NSA mantêm distanciamento entre governo e empresas de tecnologia

Por Redação | 21 de Janeiro de 2014 às 14h09

Na semana passada, o presidente americano Barack Obama anunciou uma série de reformas na forma de atuação da NSA, em busca de garantir mais privacidade para a população e recuperar a confiança no governo. As medidas reveladas, porém, não agradaram aos especialistas em tecnologia, que esperavam mudanças mais profundas e relevantes na forma como a agência de segurança trabalha.

Os anúncios de Obama foram focados, principalmente, na forma como a NSA lida com os registros telefônicos. Esse era apenas um dos tópicos abordados por um relatório emitido em dezembro pelo Review Group on Intelligence and Communications Technologies, um grupo ligado ao ministério da defesa que aconselha o presidente na melhor abordagem sobre tecnologia e como lidar com a espionagem e o roubo de dados.

Entre as recomendações, estava também o fim do enfraquecimento de criptografia digital e uma melhor supervisão sobre os atos da NSA. A ausência de medidas relacionadas a tais temas no discurso de Obama faz com que as empresas de tecnologia tenham de cuidar de si mesmas, uma vez que o antagonismo entre companhias e governo continua bastante alto.

Essa é a opinião de Serdar Yegulalp, jornalista de tecnologia que escreve para o site InfoWorld. Para ele, o discurso focado principalmente nos registros telefônicos tem a ver com a maior visibilidade da questão junto ao público. Como o objetivo era, justamente, mostrar que o governo está preocupado com a questão, esse era o melhor caminho para recuperar parte da confiança da população.

Outra mudança considerada positiva pela população foi a maior regulamentação dos documentos que obrigam empresas de tecnologia a fornecerem dados sobre seus usuários. Agora, elas podem informá-los sobre possíveis investigações e também controlar melhor quais informações são acessadas e entregues aos órgãos de segurança.

Obama também evitou falar sobre questões de privacidade relacionadas ao Big Data, uma forma de, na visão de Yegulalp, evitar mais atritos com as empresas de tecnologia. A forma como os dados coletados são usados pelas companhias, porém, permanece como um ponto importante para o governo, mas que só deve ser abordado no futuro.

Yegulalp afirma também que nenhum tipo de mudança, seja no governo ou nas políticas de privacidade, acontece da noite para o dia. Por mais que o discurso de Obama tenha passado longe de assuntos importantes, ele ainda representa avanços interessantes para as empresas de tecnologia, que agora têm mais autonomia quanto aos dados de seus usuários e estão menos submissas às necessidades da NSA.

Fique por dentro do mundo da tecnologia!

Inscreva-se em nossa newsletter e receba diariamente as notícias por e-mail.