Putin nega que a Rússia esteja envolvida em espionagem

Por Redação | 18.04.2014 às 21:05

Edward Snowden e Vladimir Putin ficaram frente a frente, mesmo que divididos por telas, durante uma sessão ao vivo de perguntas e respostas realizada pela TV russa. O ex-analista da NSA foi um dos convidados a participar da sabatina e, claro, perguntou ao presidente do país se ele pratica espionagem contra seus cidadãos ou acredita que esse tipo de vigilância é eficaz para os esforços de segurança nacional.

Putin confirmou que o governo russo utiliza escutas e outros métodos de interceptação de informações para combater o crime e o terrorismo, mas garantiu que esse tipo de operação nunca é feita de maneira massiva. Segundo ele, apenas indivíduos podem acabar sendo alvo desse tipo de prática, mas apenas após aprovação judicial e dentro do que está nas leis do país.

Ele disse que é justamente esse respeito à constituição e às liberdades individuais que faz com que a Rússia seja um dos países que não pratica vigilância ostensiva de maneira alguma. Além disso, ele lembrou que o país não possui os recursos nem tecnologia necessários para executar esse tipo de ação, ao contrário dos Estados Unidos.

A sabatina pública com o presidente Vladimir Putin é um evento anual, realizado diante de uma plateia e recebendo perguntas da internet e de celebridades políticas locais. Snowden fez sua aparição por meio dos telões do evento, mas segundo o Venture Beat, não ficou claro se tratava-se de uma gravação ou uma transmissão ao vivo.

A pergunta, feita em inglês, foi respondida em russo por Putin, que inclusive, solicitou a ajuda de intérpretes para que pudesse entender o que havia sido questionado e pudesse falar de maneira mais direta. Durante a declaração, ele lembrou a todos de seus tempos na KGB e traçou um paralelo com Snowden, afirmando que ele também já foi um espião e um agente de inteligência – algo que não é necessariamente real, já que o analista era terceirizado e apenas prestava serviços para a NSA.

O responsável pela detonação do escândalo de espionagem praticada pelos Estados Unidos encontra-se atualmente em asilo político na Rússia. De lá, e com a ajuda de jornais como o The Guardian, ele continua liberando informações e revelando mais detalhes do esquema de vigilância ostensiva que foi colocado em prática pelo país sob o pretexto de combater o terrorismo.