Petrobras também era alvo de espionagem dos Estados Unidos

Por Joyce Macedo | 09 de Setembro de 2013 às 13h58

Poucos dias depois de afirmar que a presidente do Brasil era alvo de espionagem dos Estados Unidos, o programa Fantástico, da TV Globo, mostrou novos documentos que comprovam que a Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA) também espionava a estatal Petrobras. As novas informações contradizem a afirmação da NSA de que não faz espionagem com objetivos econômicos.

O conteúdo dos documentos fornecidos para a equipe de reportagem pelo jornalista Glenn Greenwald repercutiu mundialmente na noite do último domingo (08). O governo norte-americano já afirmou publicamente que a coleta de informações feita pela NSA tem o objetivo de combater criminosos internacionais e terroristas, mas os documentos revelados parecem mostrar que existe outro motivo por trás disso tudo, afinal o governo estava espionando empresas multinacionais estrangeiras.

Greenwald disse que NSA estava focada em redes de computadores da gigante do petróleo, mas não revelou por qual razão a Petrobras e outras empresas se tornaram alvo da espionagem norte-americana. James R. Clapper Jr., o diretor nacional de inteligência dos Estados Unidos, disse em um comunicado divulgado pelo The Washington Post que "não é segredo" que a comunidade de inteligência coleta informações "sobre assuntos econômicos e financeiros, e financiamento do terrorismo."

Petrobras

O nome da Petrobras, maior empresa do Brasil, aparece logo no início do documento ultrassecreto da NSA, sob o título: "muitos alvos usam redes privadas". Porém, outras companhias também aparecem listadas como alvos, entre elas o Google (que passou de colaboradora para vítima da NSA), a diplomacia francesa (com o acesso à rede privada do Ministério das Relações Exteriores da França) e a rede do Swift, a cooperativa que reúne mais de dez mil bancos de 212 países e regula as transações financeiras internacionais por telecomunicações.

"O que nós não fazemos, como já disse muitas vezes, é usar as nossas capacidades de inteligência para roubar segredos comerciais de empresas estrangeiras", disse Clapper. Mas o grande problema é que o Brasil nunca esteve relacionado a nenhuma suspeita de terrorismo, e por isso não existem motivos plausíveis para acompanhar esse tipo de informação econômica do país com essa desculpa.

Mesmo antes do monitoramento das redes utilizadas pela Petrobras vir a público, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, já havia declarado que o Brasil está lidando com uma espionagem de caráter comercial, e não uma vigilância antiterrorismo. "Isso é espionagem de caráter comercial, industrial, é interesse [dos Estados Unidos] em saber questões sobre o pré-sal e outras de peso econômico e comercial. Portanto, é mais grave do que parecia à primeira vista", disse o ministro logo após saber que a presidente Dilma Rousseff e seus assessores eram alvo da NSA.

Na semana passada, Dilma já havia demonstrado toda a sua indignação com o fato de ser monitorada pelos Estados Unidos. Durante entrevista coletiva concedida na última sexta-feira (06) após uma reunião do G20 em São Petersburgo, na Rússia, Dilma disse que conversou pessoalmente com Barack Obama, que "assumiu responsabilidade direta e pessoal pela investigação das denúncias de espionagem". Ela também disse que o presidente norte-americano se comprometeu a dar respostas oficiais sobre o monitoramento das comunicações brasileiras até a próxima quarta-feira (11). Agora, com certeza a novidade relacionada à Petrobras deve causar ainda mais alvoroço no alto escalão do governo brasileiro.

Fonte: G1

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