Parceiro do jornalista que revelou espionagem dos EUA fica detido em Londres

Por Redação | 19.08.2013 às 13:26 - atualizado em 19.08.2013 às 13:54

Neste final de semana, um novo acontecimento virou ainda mais os holofotes para o programa de espionagem do governo norte-americano, e dessa vez um brasileiro está envolvido. O parceiro do jornalista do britânico The Guardian, Glenn Greenwald – responsável pela divulgação dos documentos apresentados por Edward Snowden contra a Agência de Segurança Nacional norte-americana (NSA) – ficou retido pelas autoridades por quase nove horas no aeroporto de Heathrow, em Londres, no último domingo (18).

O estudante brasileiro David Miranda, que vive com Greenwald no Rio de Janeiro, estava retornando de uma viagem a Berlim quando foi parado por policiais que o informaram que ele seria interrogado sob a legislação britânica de combate ao terrorismo. Criada em 2000, a lei permite que suspeitos de terrorismo sejam detidos e interrogados nos aeroportos por no máximo nove horas.

De acordo com o próprio The Guardian, o brasileiro ficou com as autoridades durante o período máximo previsto pela lei, enquanto em 97% dos casos baseados no mesmo código as entrevistas com os suspeitos duraram menos de uma hora.

Ele foi liberado, mas as autoridades britânicas confiscaram uma série de equipamentos do brasileiro, incluindo seu telefone celular, notebook, câmera, pen drives, DVDs e até mesmo videogame. David havia viajado para Berlim para se encontrar com Laura Poitras, uma documentarista que também recebeu cópias dos documentos revelados pelo ex-funcionário de uma empresa terceirizada que prestava serviços à NSA, Edward Snowden.

O Ministério das Relações Exteriores, Itamaraty, se manifestou por meio de nota oficial para dizer que a ação contra David no aeroporto de Londres "trata-se de medida injustificável por envolver indivíduo contra quem não pesam quaisquer acusações que possam legitimar o uso de referida legislação". O governo brasileiro disse ainda que "manifesta grave preocupação com o episódio ocorrido".

A Scotland Yard (Polícia Metropolitana de Londres) se limitou a divulgar uma nota dizendo que no último domingo (18), um homem de 28 anos foi detido no aeroporto de Heathrow sob a lei antiterrorismo e, sem citar o nome de David, disse que ele não estava preso. Quando procurada pelo The Guardian, a Scotland Yard se recusou a explicar os motivos da detenção do brasileiro.

"Se os governos do Reino Unido e dos Estados Unidos acreditam que táticas como essa vão impedir ou intimidar-nos a continuar a relatar de forma agressiva o que esses documentos revelam, eles estão iludidos", escreveu Glenn Greenwald. O jornalista completa seu texto dizendo que, diferente do que as autoridades esperam com essas atitudes, isso apenas o encoraja a continuar com as suas denúncias - agora de maneira ainda mais forte.

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