NSA tem arquivo de milhões de rostos através de imagens da Web

Por Redação | 02.06.2014 às 12:50
photo_camera CNET

A Agência de Segurança Nacional americana (NSA) está coletando grandes números de imagens de pessoas para uso em programas de reconhecimento facial, reporta o New York Times. As informações são coletadas pelo programa de vigilância global da agência, que intercepta comunicações como e-mails, mensagens de texto, mídias sociais, vídeo-conferências, entre outros.

Nos últimos quatro anos, a NSA aumentou seu uso de software de reconhecimento facial a fim de utilizar os dados que recolhe. Oficiais da agência acreditam que esses avanços tecnológicos poderiam revolucionar a forma como ela descobre alvos de inteligência ao redor do mundo.

De acordo com documentos secretos de 2011 vazados por Edward Snowden, milhões de imagens são coletadas todos os dias, incluindo cerca de 55 mil com qualidade suficiente para serem utilizadas em reconhecimento facial. Apesar de ser focada, a princípio, em comunicações escritas e orais, a NSA agora considera imagens faciais e impressões digitais igualmente importantes em sua missão de rastrear terroristas e outros alvos de inteligência.

"Não estamos apenas atrás de comunicações tradicionais: isso precisa de uma abordagem que use todo o arsenal para utilizar digitalmente pistas que um alvo deixa para trás em suas atividades regulares na internet, a fim de compilar informações biográficas e biométricas" que possam ajudar a "implementar uma mira de precisão", diz um documento de 2010.

Em uma apresentação de PowerPoint de 2011, por exemplo, pode-se ver diversas fotos de um homem – às vezes de barba, às vezes sem – em diferentes locais, assim como várias informações sobre ele. Elas incluem informações como se ele estava na lista de pessoas sem permissão para voar, o estado de seu visto e seu passaporte, afiliados conhecidos ou ligações terroristas e comentários feitos sobre ele por agências de inteligência americanas.

Não se sabe ainda quantas pessoas ao redor do mundo e dentro dos Estados Unidos foram pegas na operação. As leis americanas de privacidade e de espionagem não dão proteções específicas para imagens faciais. Considerando as missões da NSA fora do país, muitas imagens podem envolver pessoas estrangeiras que tiveram seus dados coletados através de desvios em cabos, centros de Internet e transmissões de satélite.

Porque a agência considera imagens uma forma de comunicação, ela deveria conseguir primeiro aprovação judicial antes de coletar fotos de americanos em seus programas de vigilância, assim como para ler seus e-mails e escutar suas ligações telefônicas. No entanto, comunicações trocadas por um americano e um estrangeiro fora do país poderiam ser exceções.

Defensores de liberdades civis e outros críticos temem o poder disponibilizado pela tecnologia que, utilizada pelo governo e pela indústria, poderia acabar com a privacidade. "Reconhecimento facial pode ser bem invasivo", disse Alessandro Acquisti, pesquisador em reconhecimento facial da Carnegie Mellon University. "Ainda existem limitações técnicas para isso, mas o poder computacional continua aumentando, os bancos de dados continuam aumentando e os algoritmos continuam melhorando".

Por enquanto, a tecnologia ainda possui limitações, especialmente para fotos em baixa resolução e em ângulos diferentes, o que pode levar a erros. O objetivo da agência, mostram os documentos, é integrar o reconhecimento facial com outros dados biométricos. Países como Paquistão, Arábia Saudita e Irã são prioridade no programa de espionagem.