NSA altera roteadores e servidores exportados para facilitar vigilância

Por Redação | 13 de Maio de 2014 às 14h15

Não é porque você está fora dos Estados Unidos que está seguro da espionagem da NSA. Novos documentos revelados pelo jornalista Glenn Greenwald, no jornal The Guardian, revelaram que a agência de segurança dos Estados Unidos intercepta e altera sistemas e outras configurações de roteadores e servidores exportados para facilitar os esforços de segurança ostensiva.

De acordo com as informações, que datam de junho de 2010 e foram obtidas pelo ex-analista Edward Snowden, os equipamentos eram interceptados pela NSA durante seu processo de exportação. Backdoors, beacons e outros dispositivos ou aberturas relacionadas à espionagem eram implementados nos dispositivos que, na sequência, continuavam seu caminho para o país de destino.

As alterações eram imperceptíveis, já que a agência tomava um cuidado especial com embalagens e selagens de fábrica de forma a garantir a aparência de integridade dos produtos. As alterações permitiam o monitoramento dos dados trafegados pelos equipamentos e facilitavam o trabalho de obtenção de informações realizado pelo órgão.

Em respostas publicadas pelo site TechCrunch, a NSA voltou a falar que as informações sobre uma coleta indiscriminada de dados é falsa e que esse tipo de mecanismo só é utilizado contra alvos determinados e indivíduos que ameacem a segurança dos Estados Unidos. Além disso, a agência afirmou que a divulgação de informações como essas na imprensa é uma maneira de confundir a população e dificultar o trabalho de proteção feito pelo governo.

Além disso, sobre a alteração de dispositivos em si, a organização disse que não pode comentar sobre atividades específicas do trabalho de inteligência, mas não negou o interesse em hardware exportado dos EUA para outros países. Apesar disso, novamente ela deixou claro que possíveis modificações são feitas apenas no caso do uso desse tipo de tecnologia por inimigos do estado.

Se verdadeiro, o relato publicado por Greenwald mostra mais uma contradição nos métodos de segurança aplicados pelo governo dos Estados Unidos. A administração sempre incentivou empresas a evitarem a compra de produtos e equipamentos oriundos da China e de marcas como ZTE e Huawei, por exemplo, sob alegações de que o governo daquele país poderia inserir mecanismos de espionagem nos dispositivos.

A medida foi vista até mesmo como um empecilho para os negócios de muitas dessas companhias, que sofrem dificuldade para entrar no mercado ocidental. Com as mais recentes revelações, parece que a recíproca também é verdadeira e, mais uma vez, a NSA é colocada numa posição de realizar exatamente as atividades que tanto condena.

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