Ministério de Minas e Energia foi alvo de espionagem de agência canadense

Por Redação | 07 de Outubro de 2013 às 15h42

Um documento revelado por uma reportagem do Fantástico mostrou que o Ministério de Minas e Energia foi alvo de espionagem da Agência Canadense de Segurança em Comunicação (CSEC).

A CSEC teve como mira a rede de comunicações do ministério, incluindo telefonemas, e-mails e uso da internet, que foi completamente mapeada. Os documentos foram revelados por Edward Snowden, o ex-analista da agência NSA que revelou ações da inteligência americana e que está hoje exilado na Rússia, e entregues ao jornalista americano Glenn Greenwald, que ajudou no levantamento das informações neste caso.

Edward Snowden

Edward Snowden

Um programa de computador chamado Olympia fez o mapeamento das comunicações telefônicas do ministério, além do uso de e-mails. Há registros de ligações para outros países, como Peru, Equador e África do Sul.

O que foi espionado

O objetivo da espionagem era descobrir informações de empresas como a Petrobrás e Eletrobrás, diretamente relacionadas com o Ministério de Minas e Energia. Eles foram capazes de identificar informações como número de celulares, registro de chips e até as marcas e modelos dos celulares.

A apresentação vazada por Snowden foi exibida em junho de 2012 em uma conferência que reunia analistas de agências de espionagem de cinco países, incluindo Inglaterra, Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia e o próprio Canadá.

Aparentemente, o conteúdo das ligações não foi revelado, apenas o histórico de quando, onde e para quem foram feitas. No entanto, a apresentação sugere ao final que entre os "próximos passos" estaria realizar a operação chamada de "man on the side" (homem ao lado), para tentar extrair toda informação que entrasse e saísse da rede do ministério.

Acesso a informações sigilosas

Os servidores do Ministério de Minas e Energia são armazenados em uma sala-cofre, com parede de aço e a prova de desastres, incluindo fogo. Os dados são todos criptografados.

Os servidores são utilizados para comunicações com a Agência Nacional de Petróleo (ANP), a Petrobrás, a Eletrobrás, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) e com a presidente Dilma Rousseff. Lá estão dados de conversas estratégicas e informações sigilosas sobre estratégias do governo.

Essas informações podem ser utilizadas por empresas que queiram concorrer a leilões de blocos de operação e produção do pré-sal, por exemplo. Elas poderiam saber o que vai ocorrer antecipadamente, em um jogo econômico de bilhões de dólares.

Repúdio do governo brasileiro

O ministro Edison Lobão afirmou que as ações de espionagem são dignas de repúdio por parte do governo brasileiro, opinião também compartilhada por Dilma Rousseff:

"Eu acho que configura um fato grave que merece repúdio. Aliás, a presidente Dilma já o fez amplamente na ONU", disse o ministro.

Edison Lobão

Edison Lobão, ministro de Minas e Energia (Ueslei Marcelino/Reuters)

Recentemente, foi revelado que a presidente e seus assessores também foram alvos de espionagem da NSA. Na ocasião, o ministro da Justiça José Eduardo Cardozo deu a seguinte declaração:

"Se forem comprovados esses fatos, nós estamos diante de uma situação que é inadmissível, inaceitável, porque eles qualificam uma clara violência à soberania do nosso país. O Brasil cumpre fielmente com suas obrigações e gostaria que todos os seus parceiros também as cumprissem e respeitassem aquilo que é muito caro para um país, que é a sua soberania".

O embaixada do Canadá em Brasília não se manifestou sobre o caso, assim como a CSEC, afirmando que não comenta atividades da inteligência no exterior.

A presidente Dilma Rousseff usou sua conta oficial do Twitter esta manhã para afirmar que o Itamaraty vai exigir explicações do Canadá: "A espionagem atenta contra a soberania das nações e a privacidade das pessoas e das empresas", disse em um tweet. "É urgente que os EUA e seus aliados encerrem suas ações de espionagem de uma vez por todas".

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