HDs do jornal 'The Guardian' são destruídos por agentes do Reino Unido

Por Redação | 20.08.2013 às 11:44

Dois "especialistas em segurança" da agência de inteligência britânica GCHQ (Government Communications Headquarters) teriam supervisionado a destruição de HDs de propriedade do jornal The Guardian, responsável pela publicação dos primeiros documentos vazados por Edward Snowden sobre o programa de espionagem eletrônica dos Estados Unidos. As revelações foram feitas pelo editor do jornal, Alan Rusbridger, em uma coluna publicada na tarde desta segunda-feira (19).

Cerca de dois meses atrás, escreveu Rusbridger, o governo britânico começou a pressionar o jornal para devolver ou destruir os documentos que obteve através de Snowden, que serviram como base para uma série de reportagens sobre o programa conduzido pela Agência Nacional de Segurança dos EUA (NSA, em sua sigla em inglês). Um mês depois, a situação ficou mais tensa, com um agente do governo tendo ligado para o editor e deixado a seguinte mensagem: "você já teve seu divertimento. Agora, queremos as coisas de volta".

Essas solicitações continuaram sendo feitas em uma série de reuniões com representantes do governo, durante as quais o editor tentou explicar que o jornal seria incapaz de conduzir a pequisa ou reportagens sobre as atividades da agência se cedesse. Ainda durante um desses encontros com o pessoal da GCHQ, Alan Rusbridger tentou explicar que a natureza do negócio da notícia tornava a destruição irrelevante.

"Eu expliquei para o homem do Whitehall sobre a natureza da colaboração internacional e da maneira que, nos dias de hoje, as organizações de mídia poderiam tirar proveito dos ambientes legais mais permissivos. Sem rodeios, nós não temos que fazer nossa reportagem a partir de Londres. Já a maioria das histórias sobre a NSA estão sendo relatadas e editadas fora de Nova York. E perguntei se tinha lhe ocorrido que [o repórter do The Guardian, Glenn] Greenwald vive no Brasil?", relatou o editor. "O homem não se abalou. E assim, um dos momentos mais bizarros na longa história do The Guardian aconteceu: com dois especialistas em segurança da GCHQ supervisionando a destruição de discos rígidos no porão do Guardian só para ter certeza que não haveria nenhum dos pedaços de metal mutilado que pudessem ser de interesse e repassados para agentes chineses".

A publicação não revela quando a destruição dos discos rígidos e computadores foi realizada, e o GCHQ ainda não comentou sobre o incidente. Na mesma coluna, Alan Rusbridger também discute a detenção de David Miranda, companheiro de Glenn Greenwald, no último domingo (18) quando ele estava passando pelo aeroporto de Heathrow, em Londres, em sua volta para o Brasil.

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