FBI teria se aliado a hacker para invadir mais de 280 sites brasileiros

Por Redação | 02.10.2014 às 14:11

O FBI (órgão governamental da área de segurança dos Estados Unidos) teria se aliado a um hacker de pseudônimo "Sabu" para realizar sofisticados ataques virtuais a sites do governo brasileiro, assim como de outros 29 países em 2012. As revelações foram feitas nesta quarta-feira (01) por reportagem do jornal Daily Dot.

Em conversas vazadas pelo jornal, o hacker comemora o sucesso de invasões a 287 sites governamentais e não governamentais brasileiros, incluindo de oito prefeituras. Segundo o site, as informações foram obtidas por meio de “registros de conversas online e de outros documentos”. Elas confirmam e aprofundam dados divulgados pelo New York Times em abril, citando o Brasil e outros seis países como alvos.

Nenhuma das reportagens confirma que o FBI tenha ordenado os ataques, no entanto, afirmam que Sabu, que na verdade é Hector Xavier Monsegur, trabalhou como informante durante este período.

Sabu trabalhava junto com o também hacker Jeremy Hammond. Juntos, eles alvejavam bases de dados para obter dados privados, como nomes de usuário e senhas, além da atividade financeira de cidadãos não americanos, incluindo agentes do governo de outros países.

A juíza Loretta Preska, que cuida do caso no qual Hammond confirmou ter trabalhado para o FBI, ordenou que os nomes dos Estados alvos não fossem revelados.

As informações obtidas pelos hackers eram então enviadas para servidores do FBI. Segundo as conversas publicadas pelo Daily Dot, em que Hammond tem o pseudônimo de “yohoho” e Monsegur de “leondavidson”, feitas pelo bate-papo do software IRC, eles planejam e citam ataques a diversos sites governamentais brasileiros.

Na conversa, Monsegur cita o “time brasileiro”, que seriam os hackers locais que faziam parte da AntiSec, grupo dissidente do LulzSec e ao qual ambos faziam parte na época. Durante as conversas eles comemoram o sucesso dos ataques a sites do governo e privados brasileiros, totalizando 287 ataques, incluindo o de algumas pequenas prefeituras como Alexandria (RN), Canhotinho (PE), Couto de Magalhães de Minas (MG), Iati (PE), Indianópolis (MG), Japeri (RJ), Manari (PE) e São João d’Aliança (GO).

Entre os sites que foram alvos dos ataques, todos tinham em comum uma vulnerabilidade por usar o software de hospedagem na web Plesk, da Parallels. Após os ataques iniciais de Monsegur e Hammond, o hacker brasileiro “Hivitja” ficou responsável por dar continuidade às invasões. Entre elas, a do site edglobo.com.br, da Editora Globo, comemorado por Monsegur por ser “grande”.

Outros países que também foram alvo dos ataques do grupo estão: África do Sul, Arábia Saudita, Argentina, Albânia, Austrália, Bélgica, Bósnia, Eslovênia, Filipinas, Grécia, Holanda, Índia, Irã, Iraque, Kuwait, Laos, Líbano, Líbia, Malásia, Maldivas, Nigéria, Papua-Nova Guiné, Paraguai, Porto Rico, Reino Unido, Sudão, Trinidad e Tobago, Turquia e Yemen.

O hacker Sabu é conhecido por ser um dos fundadores do grupo LulzSec, que realizou ataques a sites como Nasa, News Corp, Stratfor e outros. Ele permaneceu sete meses preso e recebeu liberdade condicional no meio deste ano.

Fonte: http://www.dailydot.com/politics/fbi-hammond-sabu-hack-country-list/?tw=pl