Estudo aponta que registros de ligações têm detalhes "sensíveis" sobre usuários

Por Redação | 14 de Março de 2014 às 20h04
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Uma pesquisa da Universidade de Stanford indica que os smartphones carregam metadados dos quais é possível extrair uma significante quantidade de informações detalhadas sobre a vida de seu usuário.

Segundo o jornal The Guardian, apenas analisando dados sobre destino e tempo de ligações, a equipe conseguiu identificar um cultivador de cannabis, uma visitante de clínica de aborto e uma pessoa que sofria de esclerose múltipla.

Jonathan Mayer e Patrick Mutchler foram os responsáveis pelo estudo. Eles recorreram aos dados de 546 voluntários, avaliando as ocorrências e cruzando dados à medida em que recebiam informações sobre quem tinha feito ligações e quando elas haviam sido feitas.

Com isso, os pesquisadores destacaram declarações recentes feitas pelo presidente norte-americano Barack Obama, em que dizia que a NSA apenas coletava registros de ligações, “sem olhar para o conteúdo”. Com isso, os pesquisadores questionam se realmente existe diferença entre a espionagem dos registros isoladamente ou de seu conteúdo, já que apenas com dados de registros seria sim possível identificar comportamentos individuais.

“Durante nossa análise encontramos uma série de padrões altamente indicativos de atividades sensíveis, ou ao menos traços deles”, explica Mayer em um documento publicado sobre a pesquisa.

Durante os estudos, um dos participantes “comunicou-se com vários grupos locais de neurologia, uma farmácia dessa especialidade, um serviço de apoio a doenças raras e uma linha de ajuda para um produto farmacêutico usado exclusivamente para tratar esclerose múltipla”. Outra “fez uma chamada pela manhã, com a própria irmã. Dois dias depois, ela fez uma série de chamadas para uma clínica de aborto. Duas semanas depois foram feitas duas breves ligações para a mesma clínica e uma chamada final foi feita um mês depois”.

NSA

No caso do cultivador caseiro de cannabis, as relações foram com ligações feitas em um período de três semanas para “uma loja de artigos para casa, serralheiros, um negociante de hidroponia (cultivo de plantas sem o uso do solo) e, por fim, uma loja de artigos relacionados ao consumo de maconha”.

Em entrevista ao jornal, Mayer enfatizou que os resultados “sugerem fortemente a sensibilidade dos bancos de dados de telecomunicações levantados pela NSA”. A pesquisa foi feita por meio da instalação de um aplicativo no smartphone dos voluntários. Em alguns casos, os pesquisadores também cruzaram os dados com informações públicas nos perfis de Facebook dos voluntários, algo que a NSA também é acusada de fazer.

“Entre os participantes observamos ligações para os Alcoólicos Anônimos, lojas de armas, sindicatos, advogados especializados em divórcio, clínicas de doenças sexualmente transmissíveis, uma farmácia de importação do Canadá, clubes de strip e muito mais”, descrevem os pesquisadores. “Isso não é um desfile hipotético de horrores. São inferências simples, sobre usuários de telefones reais, que poderiam ser trivialmente feitas em grande escala", complementam os pesquisadores.

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