Espionagem pode afetar vendas de tecnologia, diz CEO da Cisco

Por Redação | 19 de Maio de 2014 às 12h06

Tradicionalmente, o governo norte-americano não recomenda a aquisição de infraestrutura fabricada em países asiáticos, principalmente na China, sob suspeitas de que o governo do país tenha instalado mecanismos de espionagem nos equipamentos eletrônicos. Mas, agora, com a notícia de que a NSA estaria realizando prática semelhante, o mercado teme uma quebra de credibilidade também em relação aos equipamentos produzidos nos EUA.

É justamente essa a preocupação do CEO da Cisco, John Chambers, que, em carta ao presidente Barack Obama, espera que as vendas de tecnologia fabricada nos EUA não caiam em decorrência das ações da agência. Para o executivo, as ações da NSA interferem na relação de confiança criada entre empresas e seus clientes e o órgão estaria desrespeitando esse acordo em prol da segurança nacional.

Chambers pondera que entende as ameaças pelas quais o governo passa diariamente, mas diz que simplesmente não é possível trabalhar dessa forma. Notícias como a que revelou a interceptação física de equipamentos exportados para a instalação de backdoors ou outros dispositivos de espionagem, por exemplo, vão contra o ideal fundamental de empresas como a Cisco: “entregar produtos que garantam os mais altos padrões de integridade e segurança”.

As alegações ficaram ainda mais graves quando, após o ex-analista Edward Snowden revelar a alteração física dos equipamentos, fotos desse trabalho sendo realizado acabaram sendo divulgadas pelo jornalista Glenn Greenwald em seu livro recém-lançado. O pacote exibido na imagem seria, justamente, da Cisco, o que torna a reação da companhia ainda mais acertada. A correspondência foi publicada pelo site Re/Code e um porta-voz da companhia confirmou que ela realmente foi enviada a Obama.

As declarações chegam para fazer companhia a um texto escrito por Mark Chandler, que faz parte do quadro de conselheiros da Cisco. Segundo ele, a empresa já está de acordo com as normas de exportação de produtos de tecnologia a países inimigos dos EUA. Sendo assim, o governo deveria garantir o trabalho com outras nações “autorizadas”, sem interferências ou interceptações.

Sempre vale a pena lembrar que companhias chinesas como ZTE e Huawei têm suas vendas e sucesso comercial no exterior bastante prejudicados pelas alegações do governo norte-americano. A revolta dos executivos de grandes empresas faz sentido, já que a medida da NSA representa uma grande contradição e fortalece ainda mais o pedido das companhias por uma reforma urgente na forma de atuação da agência.

A Casa Branca ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso, apesar da Agência de Segurança Nacional ter afirmado que as informações sobre interceptação de produtos são falsas. O órgão encontra-se atualmente em um momento de revisão após o anúncio de uma série de reformas pelo presidente Obama. Contudo, as mudanças parecem ainda estar longe de garantirem o funcionamento ideal da organização.

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