Em nome da segurança, 'NSA alemã' voltará a usar máquinas de escrever

Por Redação | 16.07.2014 às 13:35

A piada parece estar prestes a se tornar literal também na Alemanha. Patrick Sensburg, diretor de um grupo do parlamento alemão responsável por investigar o escândalo de espionagem da NSA, afirmou que a equipe pode voltar a usar máquinas de escrever como forma de evitar o vazamento de informação, seja por meio de vigilância digital de governos ou ataques hackers.

Como publicou o Ars Technica, o grupo já possui uma máquina de escrever em operação, e pode comprar mais delas, do tipo não eletrônico, caso veja necessidade. É uma atitude que já foi tomada também pelo governo russo, que voltou ao mundo analógico em uma série de comunicados confidenciais do Kremlin e já gastou quase US$ 15 mil na compra de equipamentos do tipo.

A afirmação de Sensburg, nesta terça (15), vem em resposta à prisão de um indivíduo chamado pela imprensa apenas de Markus R., um espião alemão acusado de compartilhar segredos do governo germânico com a CIA. Cerca de 218 documentos confidenciais teriam sido vazados desde 2012, em troca do pagamento de US$ 34 mil.

A descoberta foi feita após um descuido do espião, que enviou um email sem criptografia para seu contato na Áustria. A primeira decorrência do fato, antes mesmo de sua divulgação pública, teria sido a expulsão do diretor dos escritórios da CIA na Alemanha, que apenas dificultou ainda mais as relações entre os países, já abalada desde a revelação de que a NSA espionou diversos governantes alemães, incluindo a primeira ministra Angela Merkel.

Para o ex-embaixador da Alemanha nos Estados Unidos, Klaus Scharioth, essa pode ser considerada a maior crise entre os dois países desde a Segunda Guerra Mundial. Agora, o governo germânico quer garantir que mais vazamentos não ocorram e que a NSA, além de outros órgãos de segurança americanos, interrompam a vigilância ostensiva sobre seu território.

Justamente para evitar esse tipo de coisa, Sensburg afirmou que seu próprio smartphone, bem como o de todos os outros membros do grupo de investigação, serão submetidos a uma auditoria para garantir a integridade dos dados armazenados ali. A ideia é que toda comunicação interna aconteça apenas sob forte criptografia.

Além disso, o diretor do grupo de investigações disse que continua firme em sua intenção de interrogar e coletar depoimentos de Edward Snowden, o ex-analista da NSA que divulgou as primeiras informações sobre o escândalo. Para ele, o ideal é que o especialista comparecesse a uma audiência na Alemanha, mas como isso não tem se provado possível, ele ficaria satisfeito também com uma videoconferência. Atualmente, ele se encontra em asilo na Rússia.