Edward Snowden tem revelações que vão "chocar", diz jornalista

Por Redação | 04 de Dezembro de 2013 às 13h23
photo_camera Divulgação

Glenn Greenwald, o jornalista responsável pelas revelações de Edward Snowden sobre o esquema norte-americano de ciberespionagem, disse nesta terça-feira (3) que o ex-funcionário da Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos (NSA) ainda tem muitos documentos secretos para revelar e que, quando eles forem divulgados, vão "chocar" os usuários. Saiu na EXAME.

Os arquivos de Snowden serão divulgados em breve, segundo declaração de Greenwald à revista francesa Télérama. Na entrevista, feita no Rio de Janeiro – local onde ele mora hoje –, o jornalista afirma que é contactado por outros "jornalistas do mundo inteiro que querem trabalhar (com ele) nos documentos que dizem respeito a seus países. O processo de trocar de informações, de acordo com Greenwald, é "extremamente demorado".

"Legalmente, não posso me contentar em lhes dar o que lhes interessa, porque isso me transformaria em fonte, e a Justiça poderia me perseguir por receptação. Eu só posso ser um jornalista, então, eu tenho de contribuir com suas investigações, assinar suas matérias em coautoria", explica.

Greenwald, que é advogado por formação, tem ajudado Edward Snowden a publicar vários arquivos para expor o sistema de monitoramento e vigilância eletrônica comandado pelos EUA. O jornalista ainda afirmou que está "sentado sobre uma montanha de documentos" secretos.

"Não quero dizer que o pior está por vir – as pessoas se acostumam com essas revelações –, mas há vários documentos sobre o que a NSA coleta e sobre a maneira como ela o faz que vão chocar", disse.

Greenwald participou recentemente de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) em Brasília, quando defendeu a ideia de que o Brasil precisa "proteger" Edward Snowden para obter mais informações sobre os casos de espionagem no país.

Durante seu depoimento, o jornalista afirmou que o monitoramento conduzido pelo governo norte-americano contra outros países tem objetivos comerciais e de dominação política. "Posso reafirmar que o objetivo principal não é o sistema de segurança nacional, sobre terrorismo. É para aumentar o poder do governo americano. O outro motivo é a vantagem econômica", disse.

Novo projeto

Após sair do jornal briânico The Guardian, Glenn Greenwald se dedica ao lançamento de uma nova mídia digital financiada por Pierre Omidyar, fundador do site de compras coletivas eBay, que investiu US$ 250 milhões na causa. Em evento de lançamento da pós-graduação do curso de jornalismo investigativo, na ESPM Rio, Greenwald deu mais detalhes sobre o tal projeto, como informa o Portal Comunique-se.

"A instituição que estamos construindo tem muito dinheiro, muito apoio. O propósito é apoiar a paixão pelo jornalismo, incentivar a liberdade de imprensa e a independência editorial", declarou o jornalista, que continuará a residir no Rio de Janeiro, de onde comandará as operações do site. "Buscamos repórteres que queiram ser independentes, para mostrar a corrupção e fazer reportagens sem medo das facções poderosas".

Um dos pontos destacados por Greenwald é a criatividade e checagem das matérias. "Só teremos uma regra: todas as reportagens precisam ser certas, provadas. Você pode escrever sobre o que quiser. Repórteres e editores trabalharão juntos, mas não haverá hierarquia ou alguém para dizer sobre o que escrever ou não. Será possível trabalhar sem qualquer medo", declarou.

Ainda não foram divulgados nome e data de lançamento do serviço.

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