Edward Snowden espera que Rússia renove seu asilo no país

Por Redação | 03 de Maio de 2014 às 15h08

Asilado na Rússia por quase um ano, o ex-técnico da Agência de Segurança Nacional (NSA) dos Estados Unidos, Edward Snowden, agora espera que o país renove seu asilo antes do período de 12 meses expirar. De acordo com sua advogada, Jesselyn Radack, o asilo temporário acaba no final de junho, mas as "perspectivas são boas para que seja renovado". As informações são da Reuters.

Em maio de 2013, Snowden fugiu do Havaí, onde trabalhava para a NSA. Em seguida, ele foi para Hong Kong, na China, e de lá deu os primeiros detalhes dos programas de monitoramento cibernético criados pela agência de inteligência norte-americana. As informações foram divulgadas para a documentarista Laura Poitras e o repórter Glenn Greenwald, que na época trabalhava para o jornal britânico The Guardian. Snowden então foi para a Rússia e passou mais de um mês morando em uma zona de trânsito em um aeroporto de Moscou, antes de receber asilo.

A partir daí, foram poucas as aparições públicas do ex-funcionário da NSA. Uma das exceções foi durante o prêmio anual Sam Adams, em que o americano se encontrou com outros quatro supostos ex-informantes de arquivos secretos dos Estados Unidos que denunciaram uma série de atividades ilegais conduzidas pela CIA, FBI, Ministério da Justiça dos EUA e pela NSA. Em outros compromissos, Snowden só apareceu por meio de vídeoconferências - a mais recente foi na última quarta-feira (30) durante a entrega do Prêmo Ridenhour, em Washington, onde ele e Poitras receberam o prêmio por dizerem a verdade.

Vale lembrar que Poitras e Greenwald já haviam compartilhado anteriormente um Prêmio Pulitzer na categoria serviço ao público - a mais importante da premiação - pelas histórias reveladas por Snowden, além do prêmio George Polk de jornalismo. Greenwald, que vive no Rio de Janeiro, também foi o primeiro estrangeiro a receber no Brasil o prêmio Esso de jornalismo. Ele foi premiado junto com Roberto Kaz e José Casado pelos artigos que escreveu para o jornal O Globo sobre a espionagem da NSA no país.

O asilo temporário cedido pela Rússia foi duramente criticado pelo governo americano. É por isso que a advogada de Snowden afirma que ele talvez nunca mais volte ao seu país de origem, já que ele provavelmente seria preso se viajasse para lá. "Obviamente, ele [Snowden] sente falta dos Estados Unidos e gostaria de poder voltar para casa. [Mas] nós simplesmente não achamos que isso poderá acontecer em um futuro próximo", declarou.

Snowden foi acusado no ano passado nos EUA pelo roubo de propriedade do governo, comunicação não autorizada de informações de defesa nacional e comunicação internacional de inteligência sigilosa por uma pessoa não autorizada. Acredita-se que ele tenha se apropriado de 1,7 milhão de documentos secretos guardados em computadores da agência. Os arquivos revelaram programas executados pela NSA que reuniam informações sobre e-mails, telefonemas e o uso da internet por milhões de pessoas em todo o mundo, até mesmo de diplomatas como a chanceler alemã Angela Merkel e a presidente Dilma Rousseff.

Segundo a advogada de Snowden, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos não mudou sua posição quanto as acusações feitas contra o ex-técnico da agência. "Se o Departamento quiser conversar, nós ficaríamos contentes. [Mas] ele não vai vir aqui para ser processado por espionagem", disse. Além dos EUA, Snowden também está impedido de viajar para o Reino Unido. Ele afirmou na semana passada durante sua posse como reitor na Universidade de Glasgow, na Escócia, que o país não permite sua entrada porque o governo britânico considera sua presença "prejudicial para o bem público".

A Rússia ainda não se pronunciou sobre a renovação de asilo para Edward Snowden. O anúncio deve ocorrer nas próximas semanas.

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