EUA espionaram jogadores da Xbox Live, World of Warcraft e Second Life

Por Redação | 09.12.2013 às 18:31
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Edward Snowden continua divulgando novos documentos secretos sobre o esquema de espionagem global do governo norte-americano. Os arquivos revelados nesta segunda-feira (9) indicam que a Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos (NSA) entrou no sistema de jogos como World of Warcraft e Second Life, além da rede Xbox Live, para espionar usuários e monitorar atividades suspeitas.

Os documentos foram divulgados em parceria entre os jornais The Guardian, ProPublica e The New York Times. De acordo com as publicações, o motivo da vigilância nesses serviços foi o seguinte: em 2008, a NSA e a GCHQ (o órgão de inteligência britânico) suspeitavam de que entidades terroristas usavam os jogos online para desenvolver uma série de ações fraudulentas, como entrar em contato com outros cibercriminosos, movimentar dinheiro e planejar ataques.

A desconfiança sobre esses serviços só aumentou com a popularização do Second Life, que permitia a criação de avatares diferentes e anônimos para enviar mensagens e interagir com outros usuários. Por isso, agentes das duas organizações, a americana e a britânica, entraram no jogo como internautas comuns para encontrar rastros de atividade terrorista nos mundos virtuais.

Funcionários da CIA e do FBI também participaram da operação. A ação de monitoramento foi tão séria que foi preciso criar um outro grupo de agentes para que os envolvidos não monitorassem um ao outro ou interferissem nas investigações dos colegas. Mesmo com um grande número de pessoas, as agências de inteligência não encontraram nenhuma menção a atos terroristas nos serviços usados por gamers em todo o mundo – só na Xbox Live existem mais de 48 milhões de jogadores.

Segundo os documentos, as operações encontraram apenas um caso de crime virtual, em 2009, quando os agentes descobriram um grupo no Second Life que vendia dados de cartões de crédito roubados.

Um representante da Blizzard, criadora de World of Warcraft, disse ao The Guardian que não tem consentimento sobre nenhum sistema de vigilância sobre o game, e que, se Edward Snowden estiver certo, isso aconteceu sem autorização da empresa. Já a Linden Lab, companhia responsável pelo Second Life, e a Microsoft, dona do serviço Xbox Live, do Xbox 360 e Xbox One, não se pronunciaram sobre o assunto.

A NSA também não comentou sobre o monitoramento de partidas online dos jogos. De acordo com o The Guardian, um porta-voz da GCHQ não confirmou nem negou as informações, mas disse que "todo o trabalho da GCHQ é realizado com base em uma rigorosa estrutura jurídica e política, garantindo que suas atividades são autorizadas, necessárias e proporcionais".

Ainda não foi divulgado qual o método utilizado pelas organizações para monitorar os serviços de jogos online. Mais documentos devem ser revelados em breve que irão detalhar outras formas de espionagem por parte das agências de inteligência, incluindo forma de identificar os usuários através de padrões de comportamento, dados de cadastro, fotos, geolocalização e dados biométricos captados pela câmera e microfone dos aparelhos.