Documentos revelam que NSA interceptava e-mails de operadoras de telefonia

Por Redação | 05 de Dezembro de 2014 às 13h09
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Quando as coisas pareciam estar acalmando, Edward Snowden voltou à carga. Em uma nova onda de revelações sobre o esquema de espionagem da NSA, o ex-analista da NSA revelou agora que a agência vinha interceptando e-mails da Groupe Speciale Mobile Association (GSMA), uma organização internacional voltada para o desenvolvimento de tecnologias celulares e compartilhamento de informações entre as fabricantes e outras empresas interessadas, como redes sociais e prestadoras de serviços.

Meio desconhecida do grande público, a GSMA possui diversos grupos de trabalho que se conectam online, o que a ajudou a se tornar uma instituição bastante interessante para as operadoras de telefonia, que ficam sabendo de forma antecipada sobre as novidades do mundo mobile. E eram elas o principal ponto de interesse da NSA, que desejava manter uma vigilância constante para se antecipar às inovações desse mercado e poder continuar interceptando os dados necessários para sua operação.

O grande intuito, aqui, era obter de forma oculta as informações sobre novos sistemas de criptografia e também mudanças no design e na forma de operação dos aparelhos, que poderiam interferir nas atividades de inteligência da agência. Daí a iniciativa de interceptar todos os e-mails que entravam e saiam da GSMA.

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Esse trabalho fazia parte de uma operação chamada AURORAGOLD e, segundo os documentos divulgados por Snowden e publicados pelo site The Intercept, teria acontecido entre março de 2011 e maio de 2012. Nos registros, a NSA admite já ter coletado “planos confidenciais” das empresas envolvidas e estar em um bom caminho para continuar seu trabalho de vigilância ostensiva, uma vez que poderia se antecipar às mudanças nos sistemas de segurança e permanecer trabalhando na obtenção de informações de forma secreta.

Os documentos também revelam que a NSA pretendia inserir falhas de segurança e backdoors nos sistemas de centenas de companhias de telefonia e fabricantes de celular cujos nomes não foram mencionados. Até mesmo aquelas operadoras ligadas diretamente ao governo e presentes em solo americano seriam atingidas, uma tática que já havia sido denunciada antes e que, na mesma medida que abria portas para a agência, também deixava a população exposta a possíveis ataques hackers.

Um dos principais alvos iniciais da operação, porém, estava situado fora dos Estados Unidos. Por preocupações de segurança nacional e como parte da intervenção americana na Líbia, o governo solicitou que a NSA obtivesse informações de inteligência sobre possíveis operações terroristas que estivessem acontecendo por lá. A obtenção de tais dados teria sido altamente facilitada pelos dados obtidos por meio da AURORAGOLD.

Em resposta oficial, a NSA não negou coletar informações por meio de empresas de telecomunicação, principalmente em território estrangeiro e hostil, mas apenas após autorização da justiça e em casos de suspeitas de terrorismo ou outras ameaças aos EUA. A agência não comentou sobre os métodos usados para isso, mas, mais uma vez, negou que estivesse espionando cidadãos americanos.

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