Caso NSA: Dilma Rousseff cancela oficialmente sua viagem aos Estados Unidos

Por Redação | 17.09.2013 às 16:12

Conforme previsto, a presidente Dilma Rousseff confirmou na tarde desta terça-feira (17) o cancelamento da viagem que faria aos Estados Unidos no dia 23 de outubro. A notícia foi divulgada por meio de nota oficial da Secretaria de Imprensa da Presidência da República.

Mesmo após conversar durante cerca de 20 minutos via telefone com o presidente Barack Obama ontem, a presidente do Brasil não recebeu explicações convincentes sobre ela e seus assessores, bem como a Petrobras, terem sido alvos da espionagem dos Estados Unidos.

"Tendo em conta a proximidade da programada visita de Estado a Washington – e na ausência de tempestiva apuração do ocorrido, com as correspondentes explicações e o compromisso de cessar as atividades de interceptação – não estão dadas as condições para a realização da visita na data anteriormente acordada. Dessa forma, os dois presidentes decidiram adiar a visita de Estado, pois os resultados desta visita não devem ficar condicionados a um tema cuja solução satisfatória para o Brasil ainda não foi alcançada", afirmou a nota oficial.

O comunicado da Presidência também cita que "as práticas ilegais de interceptação das comunicações e dados de cidadãos, empresas e membros do governo brasileiro constituem fato grave, atentatório à soberania nacional e aos direitos individuais, e incompatível com a convivência democrática entre países amigos".

Desde que documentos que apontavam o direcionamento do programa de espionagem para a presidente do Brasil e seus assessores vieram a público, o governo do país tem se mostrado indignado com a situação. "Irei à ONU propor uma nova governança contra invasão de privacidade", disse Dilma recentemente. A presidente manteve confirmada a presença na assembleia da ONU, que acontece em Nova York no dia 24 de setembro.

Paralelamente à emissão do comunicado no Brasil, a Casa Branca também emitiu uma nota para explicar o cancelamento da visita de Dilma: "O presidente disse que entende e lamenta as preocupações que a revelação das supostas atividades de inteligência dos EUA geraram no Brasil, e deixou claro que está comprometido em trabalhar junto com a presidente Rousseff e o seu governo por meio dos canais diplomáticos para superar esta fonte de tensão no nosso relacionamento bilateral".

Por fim, o governo dos Estados Unidos disse que o presidente Barack Obama espera receber a presidente do Brasil "em uma data a ser decidida mutuamente", e que "outros mecanismos importantes de cooperação, incluindo os diálogos presidenciais em cooperação política, econômica, energia e defesa, continuarão".