Com manifesto, Snowden pensou em incentivar movimento antiespionagem

Por Redação | 24 de Fevereiro de 2015 às 13h00
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Antes de revelar as informações que trouxeram ao mundo a verdade sobre a vigilância ostensiva da NSA, Edward Snowden escreveu um documento que, acreditava ele, poderia detonar um grande movimento antiespionagem. Como nos melhores filmes de mistério, a ideia seria colocar sites e petições contra esse tipo de ação no ar caso ele fosse preso antes de falar o que sabia, já que o analista acreditava piamente que seria capturado e impedido de fazer isso.

O que acabou não acontecendo, para surpresa de Snowden, que não viu nenhum tipo de ação explícita e direta do governo americano com o intuito de bloquear as revelações. Por isso, o manifesto foi engavetado, mas as informações sobre ele foram publicadas agora pelo site The Intercept, editado pelo jornalista Glenn Greenwald, um dos principais repórteres atuantes ao lado do analista no processo de trazer os documentos confidenciais ao público.

Quem falou sobre o assunto, na verdade, foi Micah Lee, um ativista pró-privacidade, que trabalhou ao lado de Snowden, Greenwald e de Laura Poitras, também atuante em prol dos direitos civis, nas semanas anteriores à publicação dos arquivos. Segundo ele, o texto do ex-analista era “de gelar a espinha” e geraria petições globais, protestos e, possivelmente, as mesmas mudanças que foram realizadas com os vazamentos.

O principal foco do manifesto eram as implicações da vigilância ostensiva para a democracia ao redor do mundo. Snowden, como realmente fez, acusava não apenas o governo dos EUA, mas também do Reino Unido, Austrália, Canadá e Nova Zelândia de espionar seus cidadãos sem nenhum tipo de filtro ou responsabilidade. Ele denunciaria uma falta de privacidade generalizada e, acima de tudo, uma noção de que algo precisava ser feito para que os responsáveis por esse tipo de ação não saíssem impunes.

O site chegou a ser montado, sob o nome Support Online Rights, e traria um campo de registro que permitiria a adesão de qualquer pessoa a um abaixo-assinado global, além de opções fáceis de compartilhamento em redes sociais. Snowden se comunicava com os envolvidos na empreitada usando emails anônimos ou criptografados, usando o pseudônimo “Verax”, que em latim, significa “contador da verdade”.

A petição e o manifesto estavam prontos para entrarem no ar em maio. Um mês depois, em junho, Glenn Greenwald começou a torrente de revelações que perdurou por mais de um ano, revelando, pouco a pouco, os sistemas de vigilância e espionagem que haviam sido implementados pela NSA em prol da “segurança nacional”.

Snowden, enquanto isso, estava fora do país justamente para evitar represálias. Apesar disso, o governo americano não tomou atitudes para impedir a publicação e compartilhamento das informações pelo público, nem tentou agir diretamente contra o ex-analista, o que acabou tornando a publicação do manifesto desnecessária. Apesar disso, ele contiunou trabalhando e revisando o texto por alguns meses, modificando-o e sempre pensando na eventualidade de ser capturado, o que não aconteceu até agora.

As revelações de Snowden não apenas trouxeram uma maior noção da atuação dos governos de todo o mundo, mas também detonaram discussões diplomáticas entre países espionados e, acima de tudo, motivaram mudanças no modo como os Estados Unidos, principalmente, lidam com essa questão. O presidente Barack Obama já trabalha em mudanças nas normas para esse fim, de forma a encontrar um meio termo o mais adequado possível entre a privacidade e segurança dos cidadãos e a proteção contra ameaças externas ou internas.

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