Caso da NSA gerou impacto negativo para a economia digital, diz pesquisador

Por Rafael Romer | 06 de Novembro de 2014 às 18h08

Para o pesquisador sênior da empresa de soluções de segurança ESET, Stephen Cobb, o programa global de espionagem da agência de segurança norte-americana (NSA), revelada pelo ex-analista Edward Snowden em junho de 2013, foi prejudicial para a economia digital. A afirmação de Cobb foi feita nesta quarta-feira (5), durante o Fórum de Segurança da Informática da América Latina, promovido nesta semana pela ESET na Costa do Sauipe, Bahia.

Em fevereiro deste ano, a ESET promoveu uma pesquisa com pouco mais de 2 mil de seus usuários norte-americanos, na qual buscou avaliar qual a percepção dessas pessoas em relação às ações da NSA e seus impactos na sociedade. Os resultados revelaram que 85% dos entrevistados ouviram falar sobre as revelações de Snowden, um número que Cobb considerou alto para os padrões de interesse público dos norte-americanos sobre questões políticas.

Contudo, o dado mais importante foi que para 45% deles essas revelações levaram à alguma mudança no comportamento das pessoas na rede, o que mostrou o impacto real das ações da NSA no modo como interagimos com o mundo digital. Os bancos, por exemplo, foram um dos setores afetados por essa mudança. Dos respondentes, 28% disseram que deixaram de usar ferramentas de online banking após o escândalo da NSA.

Cerca de 60% deles também afirmaram que passaram a apoiar menos as empresas de tecnologia - muitas das quais acusadas de colaborarem com a agência enviando informações de navegação de seus usuários.

"Isso é muito estranho: na história da internet, ouvir pessoas dizendo que estão fazendo 'menos' alguma coisa", brincou o pesquisador. "Nós descobrimos que [as revelações da espionagem da NSA] deixaram muitos americanos chateados".

ESET

O pesquisador Stephen Cobb durante sua apresentação do Fórum de Segurança da Informática (Foto: Rafael Romer/Canaltech)

Para Cobb, essa nova realidade traz um grande impacto para as empresas e profissionais de TI, que hoje precisam estar muito mais atentos às suas redes e políticas de segurança. "Nós precisamos estar cientes que as pessoas estão preocupadas", afirmou. "E preocupações com segurança podem prejudicar os negócios, então está no momento de companhias falarem sobre seu comprometimento com privacidade e segurança. Não é um tópico que pode ser ignorado".

Existe um potencial lado positivo para essas empresas que falarem publicamente sobre a questão da proteção de dados. De acordo com a pesquisa da ESET, 74% dos entrevistados disseram que admiram mais as corporações de tecnologia que se declaram contra o acesso à informação por governos.

Ainda assim, Cobb afirma que nem todas as empresas estão fazendo o que poderiam para se adequar às novas demandas por privacidades. Para ele, mais companhias poderiam estar promovendo auditorias em seus sistemas e redes para garantir a segurança de seus ambientes e detectar possíveis "bugs" e arquivos espiões da NSA.

"Uma coisa que nós sempre devemos fazer em redes é saber o que está acontecendo. [As redes] crescem e continuam funcionando bem, mas as pessoas não estão vendo uma violação de segurança que muitas pode estar lá há muito tempo", disse.

*O repórter viajou para a Costa do Sauípe à convite da ESET

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