Brasil deve ter internet própria para evitar espionagem, diz jornalista

Por Redação | 30 de Setembro de 2013 às 17h45

O jornalista do britânico "The Guardian", Glenn Greenwald, disse que o Brasil deveria ter uma internet própria para evitar o monitoramento de dados realizado pelos Estados Unidos. "Há uma consciência real de que a Argentina e o Brasil estão construindo uma internet própria, assim como a União Europeia, algo que até agora só fez a China", afirmou Greenwald em entrevista a um jornal argentino, concedida no Brasil, onde mora há vários anos. As informações são da France Press.

O objetivo da Casa Branca, segundo Greenwald, é aumentar seu poder controlando as informações de todo o mundo. A ideia é a de que os EUA causem um terrorismo mundial após o atentado de 11 de setembro para que as pessoas tenham medo e, assim, eles possam agir com as mãos livres. "É uma boa desculpa para torturar, sequestrar e prender", declarou.

"Creio que a solução seria criar um lobby entre os países, que os países se unam para ver como construir novas pontes para a internet que não permitam que um outro país domine completamente as comunicações", disse o jornalista, que foi responsável pela publicação de informações sobre o monitoramento de dados da NSA (Agência de Segurança Nacional), repassadas pelo ex-agente de inteligência Edward Snowden.

Para Greenwald, Julian Assange, fundador do WikiLeaks, é um herói por ter plantado a ideia de que na internet não é possível que governos mantenham seus segredos sem destruir a privacidade dos internautas. Atualmente, Assange está refugiado na embaixada do Equador em Londres e não pode retornar à Suécia, onde ele é acusado de ter cometido crimes sexuais. Assange nega as acusações veementemente e afirma ser alvo de perseguição política.

No começo de setembro, novos desdobramentos do caso de espionagem internacional revelaram que a presidente Dilma Rousseff e a Petrobras foram vítimas do monitoramento realizado pelo governo norte-americano. Na Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em Nova York, Dilma criticou o comportamento dos Estados Unidos.

Os chanceleres e ministros da Defesa do Brasil e da Argentina se reuniram e concordaram em enfrentar o caso da espionagem dos EUA na América Latina de forma conjunta.

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