Auditoria comprova milhares de violações de privacidade da NSA

Por Redação | 16 de Agosto de 2013 às 12h49

Um relatório publicado pelo The Washington Post esta semana destaca documentos ultrassecretos que mostram que a Agência de Segurança Nacional (NSA) dos Estados Unidos coleta dados provenientes de vigilância não autorizada sobre os cidadãos norte-americanos milhares de vezes por ano.

Os documentos são de uma auditoria realizada pela NSA em maio de 2012 em suas operações. A maioria das violações de privacidade não foi intencional, e aconteceu como resultado de fatores como erros tipográficos cometidos por analistas e erros de programação.

Algumas dessas violações eram muito mais graves, incluindo o uso não autorizado de dados de mais de 3.000 cidadãos norte-americanos. A auditoria que levantou esses dados era referente a operações realizadas em fevereiro de 2012, e, mesmo após a NSA ter sido condenada pelo tribunal de vigilância a destruir todos os dados coletados erroneamente, os arquivos contendo registros telefônicos foram mantidos.

No geral, a auditoria constatou 2.776 "incidentes" onde a NSA violou suas próprias regras de privacidade durante a coleta de informações. O relatório divulgado pelo jornal norte-americano desmascara dados sobre o primeiro trimestre de 2012, período em que ocorreram 195 violações. Dessas violações, 72 foram resultados de erro do computador, incluindo 67 incidentes em que o sistema da NSA não reconheceu celulares em roaming, ou um estrangeiro que havia levado seu próprio celular para os Estados Unidos.

Os demais 123 incidentes ocorreram devido a erros operacionais, que incluíram 60 casos em que o operador tinha um problema de "carga de trabalho" que resultou em uma investigação imprecisa. Além disso, 39 incidentes aconteceram porque o operador não seguiu os procedimentos operacionais, e 21 incidentes aconteceram devido a erros tipográficos ou "termos de busca excessivamente amplos", que levaram à coleta de dados ilegal. O relatório afirma ainda que, dos 195 incidentes do trimestre em questão, 185 deles eram resultado de uma "coleta não intencional".

Auditoria na NSA

Confusão internacional

Em um dos incidentes, um "erro de programação" confundiu um código de área dos Estados Unidos (202), que serve para Washington, DC, com +20, o código de discagem internacional para o Egito. O resultado? Um "grande número" de telefonemas norte-americanos domésticos foram interceptados erroneamente.

No que pode ser considerado o incidente mais grave do caso, a NSA misturou e-mails dos cidadãos norte-americanos e estrangeiros coletados de um cabo de fibra ótica que atravessa os Estados Unidos. Em sua defesa, os advogados da NSA disseram ao Foreign Intelligence Surveillance Court (FISC), um tribunal federal secreto, que a Agência não poderia filtrar os e-mails que pertenciam aos norte-americanos. Em outubro de 2011, o FISC respondeu que essa coleta de e-mails deveria parar, já que ela foi considerada "deficiente por motivos legais e constitucionais".

Defensores das liberdades civis imediatamente repreenderam o governo e suas agências de espionagem por essas violações legais. "O número de 'incidentes' é de cair o queixo. As regras em torno da vigilância do governo são tão permissivas que é difícil compreender como a comunidade de inteligência poderia ter conseguido violá-las com tanta frequência", disse Jameel Jaffer, diretor jurídico adjunto da American Civil Liberties Union, em um comunicado.

O relatório da auditoria que forneceu todos esses dados ao Washington Post é um dos muitos documentos que Edward Snowden forneceu para o jornal há alguns meses.

Espionagem telefone

Imagem: Jeff Schuler / Flickr

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