Alto funcionário da ONU alerta que a guerra cibernética está declarada

Por Redação | 16 de Julho de 2013 às 15h10

"A guerra cibernética está declarada", afirmou Hamadoun Touré, secretário-geral da União Internacional de Telecomunicações (UIT), durante uma conferência que acontece em Genebra esta semana. "Como em uma guerra comum, não há vencedores, só destruição", disse o alto funcionário da ONU durante a coletiva de imprensa, conforme informações da AFP.

Mesmo sem a presença de armas físicas, uma Guerra Cibernética pode causar efeitos devastadores para uma nação. Ataques realizados no ciberespaço podem comprometer redes de computadores essenciais para o funcionamento de um país – como rede de energia elétrica, gás, água, transporte público, serviços de saúde e financeiros. Atualmente, presenciamos ataques direcionados a empresas ou páginas oficiais dos governos, mas geralmente trata-se apenas de ativismo na rede sob a forma de protesto. Nenhum ataque oficialmente declarado entre países com cunho político, econômico ou militar, por exemplo. Ou seja, ainda não enfrentamos uma genuína ciberguerra. Até agora.

O primeiro alerta começou em meados de junho, quando os Ministros de Defesa dos 28 países da Otan incorporaram a defesa cibernética às suas "tarefas". Na ocasião, criminosos chineses roubaram informações relativas a vários sistemas de armas norte-americanos. Mas o estopim para os ataques mais pesados pode ser realmente o escândalo relacionado ao caso PRISM, que desvendou a espionagem do governo dos Estados Unidos contra seus cidadãos e até mesmo estrangeiros.

Apesar da revolta demonstrada por muitos países – inclusive o Brasil – em relação à atitude do governo norte-americano, o secretário-geral da UIT alega saber que "todos os países estão fazendo isso (espionagem)". "Eu conversava com um embaixador outro dia que me confessou: não sei por que estão todos surpresos diante das histórias de espionagem. Todos nós fazemos isso", declarou Touré. Ele disse ainda que os governos devem parar de realizar esse tipo de ação, sentar-se em uma mesa para debater o assunto e assinar um "tratado de paz cibernético".

De qualquer forma, o Brasil já se prepara para problemas desse tipo desde o início do ano, quando o Exército brasileiro, em parceria com a TI Decatron, apresentou o primeiro Simulador Nacional de Operações Cibernéticas (Simoc), desenvolvido para ajudar as tropas brasileiras em treinamentos contra uma possível guerra cibernética. O software faz parte do programa de Estratégia da Defesa Nacional do Centro de Comunicações e Guerra Eletrônica do Exército (Ccomgex).

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