Advogado da NSA diz que empresas de tecnologia sabiam sobre coleta de dados

Por Redação | 20.03.2014 às 11:32 - atualizado em 21.03.2014 às 02:21

Contrariando diversos comunicados oficiais e declarações de executivos, a NSA divulgou nesta quarta-feira (20) que as empresas de tecnologia participantes do programa PRISM sabiam que os dados de seus usuários estavam sendo coletados para fins de vigilância. A confirmação foi feita por Rajesh De, que é advogado e faz parte do conselho geral da agência de inteligência.

Segundo o que foi publicado pelo jornal The Guardian, companhias como Microsoft, Google, Apple, Yahoo!, Facebook e AOL, entre diversas outras, estavam perfeitamente cientes de que os dados de seus usuários estavam sendo coletados. Como o programa PRISM foi autorizado por leis federais de 2008, as companhias não possuíam escolha a não ser permitir o acesso às informações, mas ainda assim, todas conheciam o sistema e o que estava acontecendo.

De, ao lado de uma série de outros depoentes, defende o projeto afirmando que abrir processos legais na corte a cada vez que a obtenção de dados fosse necessária seria incrivelmente trabalhoso. Justamente por isso, o governo dos EUA queria ter as informações à sua disposição para quando fosse necessário analisá-las, o que não significa que todos os dados obtidos passavam pelo escrutínio das autoridades.

Ele contou ainda que a mesma tecnologia usada para a coleta de dados ostensiva a partir de servidores corporativos também foi usada pelo sistema que acumula informações que estão trafegando pela rede. Esse tipo de ação também foi validada pelas leis americanas e permitia a obtenção de chamadas telefônicas, mensagens de texto ou comunicações enviadas por aplicativos para celulares e tablets.

Em um dos slides internos da NSA, que vieram a público pelas mãos do ex-analista Edward Snowden, uma série de gigantes da tecnologia são citadas por nome, além de serviços como o Skype e YouTube. Entre as informações coletadas estiveram emails, chats de vídeo ou voz, fotos, transferências de arquivos, interações com outros usuários por meio de redes sociais e até mesmo dados de acesso como logins e senhas.

As declarações de De foram feitas perante o Privacy and Civil Liberties Oversight Board, grupo que faz parte do poder executivo dos Estados Unidos e está investigando o escândalo de espionagem da NSA. Em seu depoimento, ele também confirmou que o programa PRISM se tratava de uma operação compulsória, ou seja, todas as companhias deveriam permitir a coleta de dados, concordando ou não com a prática.

O advogado também afirmou que, apesar das informações de usuários obtidas a partir de servidores de empresas estarem à disposição, a NSA não tinha autorização para analisar os dados obtidos em trânsito na internet. Segundo ele, o volume do primeiro tipo seria guardado por cinco anos, enquanto os do segundo, por dois, dependendo ainda de autorizações judiciais para que pudessem ser explorados.

De também comentou que PRISM não era exatamente o nome oficial do projeto, e sim, um termo usado internamente que acabou se tornando sinônimo das ações após os vazamentos iniciados por Edward Snowden. As primeiras histórias sobre o assunto começaram a surgir em junho do ano passado, quando o ex-analista, trabalhando ao lado dos jornais The Guardian e The Washington Post, expôs as ações da NSA ao público global.