Último artigo de Stephen Hawking é publicado e fala sobre origem do universo

Por Ares Saturno | 02 de Maio de 2018 às 15h58

Embora Stephen Hawking tenha morrido em março, um último trabalho, que ele já havia publicado como pré-impressão ainda em vida, foi publicado pelo Journal of High Energy Physics, agora com o aval de revisores.

O artigo versa sobre a natureza do cosmos e como ele teria se comportado durante os momentos que seguiram o Big Bang. Alguns físicos teóricos acreditam que, logo após a explosão que deu origem a tudo o que conhecemos, o universo se expandiu com velocidade maior do que a velocidade da luz. As flutuações energéticas da mecânica quântica poderiam, então, ter sido ampliadas em aglomerados e espaços vazios, de forma a criar a estrutura em larga escala do universo.

Considerando isso, há físicos teóricos que acreditam que existem lugares específicos do universo onde estamos inseridos que o movimento de inflação ainda continua nos dias de hoje, enquanto bolsões estáveis sem a expansão dão origem a lugares como o universo que conhecemos. Os outros bolsões semelhantes ao nosso universo seriam, então, outros universos tão únicos quanto o nosso, dentro de uma unidade maior e em expansão – o multiverso.

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A visão de Hawking

Tanto Stephen Hawking quanto seu colaborador, Thomas Hertog, da Universidade de Leuven, na Bélgica, queriam contestar essa hipótese do multiverso, infinito e imprevisível. Com a criação de um modelo simplificado do universo em expansão, eles criaram abordagens matemáticas que poderiam restringir de forma drástica o número de multiversos possíveis. Dessa forma, o que sobraria são universos onde a mecânica e os movimentos se comportam de forma bastante similar ao nosso universo.

"Isso levanta dúvidas sobre a ideia generalizada de que a inflação eterna produz um universo altamente irregular, com uma estrutura em mosaico de manchas semelhantes a bolhas separadas por domínios inflacionários", escreveram eles no artigo.

A recepção do artigo

Por ser o último fruto da mente de Hawking deixado para nós, além de serem assuntos extremamente interessantes por se tratar da origem de tudo o que conhecemos, houve uma certa decepção por não ser um trabalho finalizado ou conclusivo.

Sabine Hossenfelder, físico teórico e divulgador científico, apesar de ter dito que Hawking era um cientista muito querido, disse também que o artigo não era digno de grandes menções, uma vez que é outro artigo teórico sem uma maneira de ter suas hipóteses testadas. O trabalho de Hawking e Hertog é, como eles mesmos chamaram a atenção no artigo, especulativo e requer mais desenvolvimento.

Thomas Hertog e Stephen Hawking trabalhando juntos (Foto: Reprodução / Pinterest)

Por mais decepcionante que seja, é assim que a ciência trabalha: teóricos vislumbram possibilidades, que precisam ser testadas para que tais ideias sejam comprovadas, ou refutadas, por meio do método científico.

Os desdobramentos que esse trabalho cotidiano de Hawking podem vir a ter, apenas o futuro dirá. Entretanto, há beleza em perceber que, mesmo em seus últimos momentos, Stephen Hawking ainda estava completamente comprometido com sua maior paixão: tentar entender como o universo funciona.

Fonte: Gizmodo

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