Transformer? Veja como este rover modular é capaz de explorar terrenos difíceis

Por Danielle Cassita | 16 de Outubro de 2020 às 22h30
Reprodução/NASA/JPL-Caltech/J.D. Gammell
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Muitas vezes, os rovers estão expostos às dificuldades de acesso aos alvos científicos que precisam estudar; se não for possível chegar a eles por estarem em algum lugar de difícil acesso para o robô, como uma ladeira muito íngreme, por exemplo, operadores provavelmente teriam que encontrar outros alvos de estudo — mas nada disso seria problema para o DuAxel, um rover construído para enfrentar penhascos quase verticais e descidas em crateras na Lua, Marte e além.

O DuAxel é formado por um par de rovers de duas rodas chamado Axel — daí seu nome. Para conseguir explorar ambientes hostis, o DuAxel para, abaixa seu chassi e o ancora ao solo. Com a parte de trás do rover firmemente presa no local, a outra metade se desacopla e rola em direção ao objetivo científico em um só eixo. Nisso, tudo que une as duas metades é apenas um fio que vai se desenrolando conforme o eixo principal vai chegando perto do que será estudado e, se necessário, desce por uma cratera ou outra formação desafiadora para analisar a localização cientificamente atraente com seus instrumentos.

Esse cenário foi colocado em prática em um teste no deserto Mojave, onde uma equipe de engenheiros do Laboratório de Propulsão a Jato, da NASA, colocou o rover modular diante de alguns obstáculos para testá-lo. O resultado foi animador: "o DuAxel teve um desempenho excelente no campo, e demonstrou com sucesso as habilidades de se aproximar de terrenos desafiadores, ancorar e desacoplar o rover Axel amarrado", disse Issa Nesnas, tecnólogo de robótica no JPL. Além disso, o Axel também teve sucesso para realizar manobras autônomas e implantar instrumentos sem a necessidade de um braço robótico.

A maior vantagem em um rover com dois eixos simples combinados em uma só carga útil é a versatilidade, já que a configuração do robô em quatro rodas permite dirigir por grandes distâncias em paisagens acidentadas, enquanto a de duas rodas tem uma agilidade que os rovers maiores não consegue. "O DuAxel abre o acesso para terrenos mais extremos em corpos planetários como a Lua, Marte e até mundos congelados, como a lua Europa", completou Nesnas. Essa configuração dupla veio da importância de trazer mobilidade ao robô Axel, cujo conceito já havia sido desenvolvido pela NASA. "A principal vantagem de usar o DuAxel fica clara quando você tem a incerteza do local de pouso, como é em Marte, ou você quer se mover para uma nova localização para explorá-la com o Axel", diz Patrick Mcgarey, tecnólogo robótico do JPL.

Por enquanto, como o DuAxel é uma demonstração de tecnologia sem destino certo, sua equipe vai continuar desenvolvendo suas capacidades. Então, quando a hora chegar, o rover estará pronto para explorar os locais onde outros rovers temem ir. Para Laura Kerber, geóloga planetária no JPL, a mobilidade do rover e a habilidade de acessar localizações extremas é uma combinação interessante: "ao invés de sempre tentar se proteger dos perigos de queda ou de virar, o rover é criado para resistir a eles".

Fonte: NASA

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