Startup está trabalhando em cronômetros que podem ajudar no desvio de asteroides

Por Danielle Cassita | 02 de Dezembro de 2020 às 21h00
urikyo33/Pixabay

Em uma pequena área da universidade Riga Technical, na Letônia, há uma equipe de cientistas trabalhando cuidadosamente em uma tecnologia que pode ser uma ferramenta importante para proteger a Terra de asteroides no futuro: cronômetros da mais alta precisão que, atualmente, são utilizados para o rastreamento de satélites.

A produção ocorre no laboratório da startup Eventech, que foi contemplada neste ano por um contrato da Agência Espacial Europeia (ESA) para desenvolver cronômetros que vão estudar a possibilidade de redirecionar um asteroide antes que ele chegue perto demais da Terra. Assim, os dispositivos da Eventech são capazes de gravar medidas em apenas um picossegundo — um trilionésimo de segundo —, o que permite que a medida de tempo seja convertida em distância com grande precisão. Cerca de 10 dispositivos são produzidos anualmente para rastreio de satélites privados, científicos e militares na atmosfera.

Os cronômetros são uma tecnologia espacial bastante tradicional (Imagem: Reprodução/Reprodução/Phys.org)

O asteroide em questão é o Didymos, que será visitado pela missão Double Asteroid Redirection Test (DART), da NASA, e também pela missão Hera, da ESA. A ideia é que a sonda da DART, que pesa cerca de 500 kg e possui uma câmera, se choque contra ele para desviá-lo de seu trajeto que inclui uma passagem próxima da Terra em 2123. Assim, os cronômetros de eventos espaciais da Eventech são desenvolvidos para a missão de acompanhamento da ESA, que deverá ser lançada cinco anos depois de sua antecessora para verificar se tudo correu bem.

Imants Pulkstenis, engenheiro da Eventech, diz que a tecnologia da empresa vai acompanhar a Hera para medir se o impacto inicial no asteroide teve sucesso em deixar a Terra mais segura. “É muito mais interessante ir direto onde ninguém jamais foi do que criar eletrônicos comuns para um enorme lucro”, disse. O país já tem experiência com o rastreio de satélites desde a era soviética, e os engenheiros da empresa disseram que pretendem utilizar o máximo de peças análogas possível porque os microchips precisam de alguns nanossegundos para computarem o sinal — este tempo pode ser longo demais para medidas que podem chegar em picossegundos.

Enquanto esses cronômetros são usados para cálculos na Terra, aplicações com destino a missões no espaço profundo seguem em desenvolvimento em outro lugar do laboratório; neste caso, a ideia é rastrear objetos planetários a partir de uma sonda espacial em movimento: “não existem dados de cobertura GPS disponíveis em outros planetas, então você tem que levar seu próprio alcance de precisão com você", disse Pulkstenis. Essa tarefa não é fácil, e a equipe está preparada para enfrentar os desafios: “nossa tecnologia atualizada tem que resistir a temperaturas extremas no espaço e radiação cósmica extrema, um desafio divertido”.

Fonte: Phys.org

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