Sony cria subsidiária para desenvolver sistema de comunicação a laser no espaço

Sony cria subsidiária para desenvolver sistema de comunicação a laser no espaço

Por Wyllian Torres | Editado por Rafael Rigues | 06 de Junho de 2022 às 17h10
Reprodução/NASA

A Sony criou uma subsidiária para desenvolver dispositivos a laser para pequenos satélites na baixa órbita da Terra (LEO) a partir de sua longa experiência com a tecnologia em sistemas de discos ópticos (Blu-Ray, DVD e CD). Em nota publicada em 2 de junho, a empresa disse que a Sony Space Communications Corporation (SSC) ampliará a capacidade de tráfego de dados em órbita à medida que mais satélites são lançados ao espaço.

Sediada em San Mateo, na Califórnia, a SSC pretende desenvolver, construir e fornecer toda a tecnologia que permita que pequenos satélites usem feixes de laser em vez de radiofrequência para se comunicarem com estações terrestres e entre si, para garantir uma conectividade em tempo real.

A comunicação óptica oferece uma maior quantidade de troca de dados na baixa órbita da Terra (Imagem: Reprodução/ESA)

Estima-se que atualmente existam mais de 12 mil satélites em operação na baixa órbita da Terra e a tendência é que este número aumente em futuro próximo. Isso causará um "congestionamento" nas frequências de rádio, limitando a quantidade de dados que pode ser transmitida e a velocidade de comunicação.

No comunicado, Kyohei Iwamoto, presidente da SSC, disse que os satélites de baixa órbita terrestre (LEO) precisam se comunicar com estações em solo, exigindo um grande número de instalações terrestres para garantir a troca de dados em tempo real.

O problema é que cada satélite deve passar diretamente sobre a estação terrestre para se comunicar com ela. Iwamoto acrescentou que a necessidade de licenças de frequência para ondas de rádio e a exigência de menor consumo de energia nos equipamentos necessários também serão abordados no projeto.

Rede de comunicação óptica

A comunicação via rádio depende de antenas maiores e mais potentes que uma rede óptica e, por isso, torna “fisicamente difícil” atingir altas velocidades em satélites pequenos. Assim, a SSC criará dispositivos de comunicação óptica para conectar microssatélites em LEO por meio de um feixe de laser.

A Sony implantou um dispositivo de comunicação óptica no módulo japonês Kibo da ISS (Imagem: Reprodução/NASA)

A empresa usará sua tecnologia de disco óptico para desenvolver dispositivos “ultracompactos, leves, de produção em massa e capazes de suportar condições adversas no espaço”. Em 2020, a Sony desenvolveu um dispositivo de comunicação óptica em parceria com a agência espacial japonesa (JAXA).

O Small Optical Link foi International Space Station (SOLISS) foi instalado no módulo Kibo da Estação Espacial Internacional (ISS) e, segundo a Sony, o dispositivo estabeleceu a comunicação a laser com uma estação terrestre no Japão e transmitiu com sucesso imagens em alta resolução.

Neste ano a Sony também teve sucesso em um experimento de transferência de arquivos de dados que será a base tecnológica para serviços de internet por meio da comunicação óptica em LEO. A SSC, no entanto, não informou quando a tecnologia estará disponível.

Fonte: Sony

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