Sonda Juno vai sobrevoar a lua Ganimedes, de Júpiter, em breve

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 04 de Junho de 2021 às 20h40
NASA/JPL-Caltech/SwRI/ASI/INAF/JIRAM

A sonda Juno, da NASA, foi lançada em 2011 para explorar Júpiter, e segue na órbita da gigante gasoso desde 2016. E, em breve, a sonda deverá se aproximar da maior lua do sistema joviano: na próxima segunda-feira (7), a Juno irá sobrevoar Ganimedes a apenas 1.038 km de sua superfície — este será o sobrevoo mais próximo do satélite natural realizado, sendo que o último foi feito pela sonda Galileo, em 20 de maio de 2000.

Ganimedes é o maior satélite natural do Sistema Solar, e esta é a única lua em nossa vizinhança que tem uma magnetosfera (ou seja, uma espécie de bolha formada por partículas carregadas) própria. Então, ao sobrevoá-la, a Juno coletará dados da composição, camada de gelo que a cobre e de sua magnetosfera: “a Juno leva um conjunto de instrumentos sensíveis, capazes de ver Ganimedes como nunca vimos antes", disse Scott Bolton, principal investigador da missão.

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Para isso, os instrumentos Ultraviolet Spectrograph (UVS) e Jovian Infrared Auroral Mapper (JIRAM) irão atuar em conjunto, para que o Microwave Radiometer’s (MWR) consiga penetrar através da crosta congelada que envolve Ganimedes, obtendo dados sobre sua composição e temperatura. Depois, os dados obtidos serão aproveitados pela próxima geração de missões rumo ao sistema joviano.

Bolton explica que a camada de gelo que envolve a lua tem regiões mais claras e mais escuras, o que sugere que algumas podem ser de gelo puro, enquanto outras podem ser “gelo sujo”: “o MWR fornecerá a primeira investigação profunda de como a composição e a estrutura do gelo variam de acordo com a profundidade, proporcionando um entendimento melhor de como a camada se forma e dos processos que a alteram o longo do tempo", comentou.

Os resultados obtidos serão um complemento importante para a futura missão JUICE, da Agência Espacial Europeia, que irá investigar a ocorrência de oceanos subterrâneos nas luas Ganimedes, Calisto e Europa. Ao passar por trás da lua, os sinais de rádios vão atravessar sua ionosfera, o que causará uma pequena mudança na frequência deles. “Se pudermos medir essa mudança, talvez consigamos entender a conexão entre a ionosfera e o campo magnético de Ganimedes com a magnetosfera de Júpiter”, finaliza Dustin Buccino, engenheiro de análise de sinal da missão.

Aliás, o instrumento imageador JunoCam foi criado especialmente para levar a beleza da exploração de Júpiter ao público. Então, durante o rápido sobrevoo, o instrumento “verá” a transformação da lua, que se parecerá com um pequeno ponto de luz até se tornar um disco, para depois voltar se parecer com o ponto luminoso. Tudo isso deverá durar cerca de 25 minutos, tempo suficiente para produzir cinco imagens, que vão ajudar a equipe de ciência da missão a descobrir se houve mudanças na superfície de Ganimedes.

Fonte: NASA

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