Por que ainda não sabem onde e quando a estação espacial chinesa cairá na Terra?

Por Patrícia Gnipper | 28 de Março de 2018 às 17h12

Repleta de materiais tóxicos, a estação espacial chinesa Tiangong-1 vai cair na Terra a qualquer momento nos próximos dias. A notícia de que a estação estaria desgovernada é antiga, datando de dois anos atrás, sendo que, em outubro do ano passado, a agência espacial chinesa alertou a ONU de que o artefato estaria fadado a cair na Terra em algum momento entre aquele mês e abril de 2018. E, ainda que já se saiba que a chance de haver um choque contra a superfície é pequeno (uma vez que o objeto provavelmente será destroçado e carbonizado ao entrar em nossa atmosfera), não havendo, portanto, a chance de a estação cair no Brasil, ainda não está claro para a comunidade científica a data e o local exato em que a Tiangong-1 vai retornar ao nosso planeta.

Mas por que ainda não se sabe exatamente esse tipo de coisa, uma vez que é fato de que a estação está caindo? Será que a ciência não é capaz de fazer uma previsão com mais exatidão? Acontece que, infelizmente, a coisa é mais complicada do que podemos imaginar – contudo, à medida em que a altitude do objeto é reduzida, fica um pouco mais fácil fazer cálculos acertados.

A estação, que pesa cerca de 8,5 toneladas e está atualmente situada a 200 quilômetros acima da superfície, deverá se desintegrar em nossa atmosfera, mas, ainda assim, alguns detritos resultantes do processo devem cair na Terra. E os motivos pelos quais está difícil prever exatamente onde tais pedaços cairão podem ser explicados pela física.

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Arte retrata a estação espacial chinesa em órbita (Imagem: Divulgação)

Leis de Newton nos mostram que satélites ao redor da Terra em órbitas perfeitamente circulares ou elípticas repetem seu percurso com a força da gravidade sendo a única atuando ali. Contudo, quando o objeto está em baixas altitudes, há a interferência da atmosfera terrestre, o que causa uma resistência aerodinâmica – força que se opõe à velocidade do satélite, fazendo com que a órbita do objeto em questão fique em uma espiral descendente em direção à superfície da Terra.

Sendo assim, em teoria, é possível calcular esse rastro para prever o caminho de queda de um satélite, e isso pode ser feito com uma equação matemática que considera a velocidade do objeto, a densidade da atmosfera, um coeficiente numérico que depende do formato do satélite e sua orientação em relação ao fluxo de ar, e a área do objeto.

Agora vem a parte que complica a obtenção de resultados exatos: ainda que seja fácil medir a velocidade da estação espacial, os demais parâmetros são bastante incertos. A forma da Tiangong-1 é complexa e sua queda está acontecendo de maneira desgovernada. Ainda, a densidade da atmosfera é um fator que varia conforme a altitude. Sendo assim, um cálculo aproximado até pode ser feito, sem garantias de que a queda aconteça da maneira prevista. E é exatamente o que está acontecendo.

Também é preciso considerar que a estação espacial chinesa se queimará durante as fases finais de reentrada, tornando ainda mais incerto o resultado do tal cálculo. Dessa maneira, um ponto exato de impacto acaba sendo praticamente impossível de ser determinado, mas uma área aproximada pode até ser prevista. Com base na inclinação da órbita da espaçonave, é possível prever com um certo nível de confiança onde que detritos podem atingir o nosso planeta.

Fonte: Phys.org

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