Nada de batatas: o solo de Marte pode exterminar até mesmo os microrganismos

Por Redação | 07 de Julho de 2017 às 17h35

Sabe aquela ideia de se plantar batatas no solo marciano, mais ou menos como aconteceu no filme Perdido em Marte? Pois uma nova pesquisa está destruindo esse sonho, já que revelou uma combinação de fatores químicos no Planeta Vermelho que é capaz de exterminar qualquer forma de vida, até mesmo a microbiana.

Foram realizados experimentos com componentes coletados no solo de Marte, e a equipe de cientistas concluiu que algumas dessas substâncias químicas, quando atingidas por raios ultravioletas, criam uma espécie de “coquetel tóxico” que, por sua vez, acaba agindo como se fosse um bactericida. Essa combinação pode esterilizar todas as camadas superficiais do solo do planeta e, portanto, as esperanças de se encontrar algum tipo de vida microscópica alienígena por lá deverão ser direcionadas para o subsolo do nosso vizinho, abandonando sua superfície.

De acordo com a pesquisadora Jennifer Wadsworth, da Universidade de Edimburgo, a busca por formas de vida em Marte terá que ser migrada para os ambientes que estão protegidos da severa radiação que atinge o planeta. Seu trabalho em parceria com o astrobiólogo Charles Cockell analisou uma bactéria chamada Bacillus subtilis, que é encontrada na água e no solo da Terra e é um tipo de agente contaminador de naves espaciais. Então, a bactéria foi exposta a uma combinação de perclorato de magnésio com radiação ultravioleta semelhante à que atinge o terreno marciano, e os resultados mostraram que o microrganismo foi exterminado duas vezes mais rapidamente.

Outros testes conduzidos pela dupla mostraram que, ao ser atingido pelos raios UV, o perclorato quebra outros componentes químicos que podem ser ainda mais mortais para qualquer forma de vida que estiver pensando em pisar no solo de Marte. Outros experimentos analisaram, ainda, os efeitos de óxidos de ferro e peróxido de hidrogênio na mesma bactéria, e o extermínio da desafortunada ocorreu 11 vezes mais rápido.

No entanto, para Chris McKay, cientista do Centro Ames de Pesquisa da NASA, na Califórnia, a notícia é, ao mesmo tempo, boa e ruim. Por um lado, se tornou ainda mais difícil encontrar qualquer resquício de vida marciana, mas, por outro, agora os cientistas sabem exatamente em que camada da superfície do planeta eles devem ou não fazer esse tipo de busca. Além de tudo, agora se sabe que qualquer microrganismo que, por ventura, for enviado para Marte nas próximas missões da agência espacial, não afetará o ambiente marciano de nenhuma maneira.

Fonte: Space.com

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